Gustavo Valente
✞O
Bairro Savassi de Belo Horizonte ✞
A Savassi é um dos bairros mais
nobres e boêmios da região centro-sul de Belo Horizonte. A origem do nome do
bairro data da década de 1930, quando os três irmãos imigrantes italianos,
chamados Achille, Arturo e Angelo Savazzi, fundaram uma padaria na região. Com o passar do tempo, a praça Treze de Maio
(hoje chamada de praça Diogo de Vasconcelos), onde a padaria se localizava,
ficou popularmente conhecida com o sobrenome da família, que foi abrasileirado
de “Savazzi” para “Savassi”.
Se Belo Horizonte é conhecida
como a capital mundial dos bares, muito se deve a essa região. A Savassi é uma
região que mais concentra os famosos e marcantes bares e botecos que
caracterizam a capital mineira. Mas o que poucas pessoas sabem é que além das
várias lojas, restaurantes e bares presentes no local, as ruas da Savassi
também são alvo de uma entidade sobrenatural que por anos assombra esse bairro
em busca de um amor.
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Bairro Savassi - Belo Horizonte |
✞A
assombração apaixonada ✞
Diz a lenda que durante as
madrugadas, uma moça fantasma usando vestido branco surge entre a neblina da
Serra do Curral (cadeia montanhosa presente na região sul de Belo Horizonte) e desce
até a Savassi, onde caminha à procura de um amor. Essa mulher teria morrido
jovem, sem tempo de viver um grande romance. Seu espírito então continuou nesse
plano e assombra as ruas da Savassi em busca de um amor. Dizem que um forte
cheiro de dama da noite, magnólia e jasmim fica impregnado no local por onde
ela passa. Além disso, sua presença também é capaz de causar falhas na rede
elétrica. Por algum motivo, ela nunca avança além da Rua Ceará e
misteriosamente desaparece quando surge o primeiro raio de sol ao amanhecer.
Segundo a pesquisadora Heloísa
Maria Murgel Starling (Departamento de História da Universidade Federal de
Minas Gerais), “a Moça Fantasma representa os amores sem dia seguinte, a
fugacidade das relações modernas, as histórias que podem durar só uma noite”.
✞A
moça fantasma na cultura popular ✞
Ficou curioso e com vontade de ler o poema de Drummond? Então o confira abaixo, na íntegra!
Canção da Moça Fantasma
Eu sou a Moça-Fantasma
que espera na Rua do Chumbo
o carro da madrugada.
Eu sou branca e longa e fria,
a minha carne é um suspiro
na madrugada da serra.
Eu sou a Moça-Fantasma.
O meu nome era Maria,
Maria-Que-Morreu-Antes.
Sou a vossa namorada
que morreu de apendicite,
no desastre de automóvel
ou suicidou-se na praia
e seus cabelos ficaram
longos na vossa lembrança.
Eu nunca fui deste mundo:
Se beijava, minha boca
dizia de outros planetas
em que os amantes se queimam
num fogo casto e se tornam
estrelas, sem irônia.
Morri sem ter tido tempo
de ser vossa, como as outras.
Não me conformo com isso,
e quando as polícias dormem
em mim e foi-a de mim,
meu espectro itinerante
desce a Serra do Curral,
vai olhando as casas novas,
ronda as hortas amorosas
(Rua Cláudio Manuel da Costa),
pára no Abrigo Ceará,
nao há abrigo. Um perfume
que não conheço me invade:
é o cheiro do vosso sono
quente, doce, enrodilhado
nos braços das espanholas.
Oh! deixai-me dormir convosco.
E vai, como não encontro
nenhum dos meus namorados,
que as francesas conquistaram,
e cine beberam todo o uísque
existente no Brasil
(agora dormem embriagados),
espreito os Carros que passam
com choferes que não suspeitam
de minha brancura e fogem.
Os tímidos guardas-civis,
coitados! um quis me prender.
Abri-lhe os braços… Incrédulo,
me apalpou. Não tinha carne
e por cima do vestido
e por baixo do vestido
era a mesma ausência branca,
um só desespero branco…
Podeis ver: o que era corpo
foi comido pelo gato.
As moças que’ ainda estão vivas
(hão de morrer, ficai certos)
têm medo que eu apareça
e lhes puxe a perna… Engano.
Eu fui moça, Serei moça
deserta, per omnia saecula.
Não quero saber de moças.
Mas os moços me perturbam.
Não sei como libertar-me.
Se o fantasma não sofresse,
se eles ainda me gostassem
e o espiritismo consentisse,
mas eu sei que é proibido
vós sois carne, eu sou vapor.
Um vapor que se dissolve
quando o sol rompe na Serra.
Agora estou consolada,
disse tu do que queria,
subirei àquela nuvem,
serei lâmina gelada,
cintilarei sobre os homens.
Meu reflexo na piscina da Avenida Paraúna
(estrelas não se compreendem),
ninguém o compreenderá.
✞Referências✞
Fantasmas da Cidade Moderna à https://cutt.ly/LfiDVM6
Passei Web à https://cutt.ly/OfurHmr
Sesc à https://cutt.ly/kfiDSFq
Wikipédia à https://cutt.ly/NfueOZ5