A garotinha Maria Gilda nasceu
dia 4 de setembro de 1922 no município de Santa Leopoldina, Espírito Santo. Maria
Guilda pertencia à importante família Reinsen, uma das mais importantes da
cidade. Seus pais eram Lúcia Reisen e Silvestre Ferreira, um conhecido
farmacêutico local. Sua avó, Maria Zelinda Avancini era considerada uma das
pessoas mais caridosas daquela região. Mas com apenas 5 meses de vida, Maria
Gilda foi vítima de um horrível acidente doméstico. No dia 23 de janeiro de
1923, a avó da menina estava dando um banho na pequena garota em uma bacia.
Depois de finalizar o banho, a avó teria a deixado sozinha na bacia rapidamente,
apenas para buscar uma toalha em outro cômodo. Quando ela voltou, teve uma
desagradável surpresa: Maria Guilda estava afogada.
✞O
sepultamento e a manifestação✞
Maria Guilda foi sepultada no
cemitério Campo Santo, localizado no próprio município de Santa Leopoldina. De
acordo com o escrito Francisco Schwarz, esse foi um dos enterros mais
“concorridos dos já realizados na cidade”. Algumas fontes afirmam que durante o
cortejo, a mãe de Maria Gilda levou consigo a bacia na qual a filha havia se
vitimado. Quando o caixão foi colocado na cova, a mãe teria jogado a bacia por
cima e dito: “Já que você levou minha filha, agora minha filha vai levar
você...”.
No local em que foi enterrada foi
construído um pequeno mausoléu de interior oco e concretado para homenagear a
pequena menina. Esse caso seria só mais uma fatalidade que eventualmente
acontece, e seria esquecida com o passar do tempo. Entretanto, uma curiosa
manifestação vem ocorrendo no túmulo de Maria Guilda por mais de 95 anos. O
túmulo da garotinha se enche de água!
Mesmo em períodos de estiagem, a
água continua brotando do túmulo da menina e se acumulando sob o concreto do
fundo do mausoléu. De acordo com Jeferson Rodrigues, guia turístico da região,
“o túmulo fica acima da terra em uma barra de concreto. E como tem água? Muita
gente fala que é o coveiro, mas seria uma tradição de muito tempo se fosse
verdade”. De acordo com esses relatos, percebe-se que suspeitas sobre a
veracidade da manifestação são levantadas. Mas como o próprio guia afirmou,
esse evento ocorre a muito tempo (mais de 95 anos) vários coveiros e
administrações já passaram por aquele local. É pouco improvável que todos eles levassem
uma fraude à diante por um período tão longo quanto esse. Jeferson também
afirmou que alguns geólogos tentaram desvendar o mistério da origem daquela
água, mas não tiveram êxito no estudo. O túmulo tem camadas de concreto,
mármore e tijolo. Portanto mesmo que existisse uma nascente de água sob o mausoléu,
essa não seria capaz de infiltrar por todas essas camadas.
✞Vigílias
no local✞
O mistério em volta da água que
brota do túmulo de Maria Gilda acabou atraindo a atenção de muitos turistas e
curiosos. Várias caravanas são organizadas até o local para que as pessoas
possam presenciar essa manifestação. Alguns ainda acreditam que essa água tem
propriedades milagrosas. De acordo com o ex-coveiro do local, Luciano
Lichtenheld, “veio uma senhora de Vitória e disse que o marido dela foi curado
de câncer. Alguma coisa tem naquela água”. Ele também afirma que um indivíduo
de Cachoeira do Itapemirim certa vez coletou um pouco de água em uma garrafa e
levou até sua esposa, que tinha uma doença incurável. Depois de tomar a água, a
mulher se recuperou totalmente. O homem então retornou até o cemitério para
presentear Maria Gilda com uma rosa. Entretanto, o coveiro aposentado também
afirmou que não é recomendado que essa água seja bebida, uma vez que a
Secretaria de Saúde do município adiciona um produto àquela água para prevenir
a proliferação de larvas de mosquitos. Já foi até mesmo levantado a hipótese de
perfurar o túmulo para a água escoar e evitar seu acúmulo. Mas o lado cultural
e turístico até o momento falou mais alto, e o túmulo continua lá até hoje, acumulando
água sem parar.
A Savassi é um dos bairros mais
nobres e boêmios da região centro-sul de Belo Horizonte. A origem do nome do
bairro data da década de 1930, quando os três irmãos imigrantes italianos,
chamados Achille, Arturo e Angelo Savazzi, fundaram uma padaria na região.Com o passar do tempo, a praça Treze de Maio
(hoje chamada de praça Diogo de Vasconcelos), onde a padaria se localizava,
ficou popularmente conhecida com o sobrenome da família, que foi abrasileirado
de “Savazzi” para “Savassi”.
Se Belo Horizonte é conhecida
como a capital mundial dos bares, muito se deve a essa região. A Savassi é uma
região que mais concentra os famosos e marcantes bares e botecos que
caracterizam a capital mineira. Mas o que poucas pessoas sabem é que além das
várias lojas, restaurantes e bares presentes no local, as ruas da Savassi
também são alvo de uma entidade sobrenatural que por anos assombra esse bairro
em busca de um amor.
Bairro Savassi - Belo Horizonte
✞A
assombração apaixonada ✞
Diz a lenda que durante as
madrugadas, uma moça fantasma usando vestido branco surge entre a neblina da
Serra do Curral (cadeia montanhosa presente na região sul de Belo Horizonte) e desce
até a Savassi, onde caminha à procura de um amor. Essa mulher teria morrido
jovem, sem tempo de viver um grande romance. Seu espírito então continuou nesse
plano e assombra as ruas da Savassi em busca de um amor. Dizem que um forte
cheiro de dama da noite, magnólia e jasmim fica impregnado no local por onde
ela passa. Além disso, sua presença também é capaz de causar falhas na rede
elétrica. Por algum motivo, ela nunca avança além da Rua Ceará e
misteriosamente desaparece quando surge o primeiro raio de sol ao amanhecer.
Segundo a pesquisadora Heloísa
Maria Murgel Starling (Departamento de História da Universidade Federal de
Minas Gerais), “a Moça Fantasma representa os amores sem dia seguinte, a
fugacidade das relações modernas, as histórias que podem durar só uma noite”.
✞A
moça fantasma na cultura popular ✞
A lenda urbana da Moça Fantasma
foi utilizada até mesmo por Carlos Drummond de Andrade para compor a “Canção da
Moça Fantasma”. O poeta aborda metaforicamente a solidão da assombração para
comparar com o seu isolamento e de toda humanidade. No poema também são
abordadas algumas informações interessantes sobre essa manifestação
sobrenatural, como as possíveis ruas onde o espectro aparece (Rua do Chumbo,
Rua Cláudio Manuel da Costa e Avenida Paraúna), seu nome real (Maria) e sua
aparência (branca, de cabelos compridos). Carlos Drummond de Andrade também
aborda e ratifica alguns pontos já conhecidos no imaginário popular, como o
fato dela descer pela Serra do Curral, dela não avança pela Rua Ceará e dela
desparecer com o raiar do sol.
Ficou curioso e com vontade de
ler o poema de Drummond? Então o confira abaixo, na íntegra!
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✞A
família Cooper adquire uma casa✞
A lenda sobre a foto em questão é
descrita em vários fóruns na internet e foi publicada no livro “Urban Legend:
The True Story of the Cooper Family Falling Body Photo”, de Richard Ramsdell.
De acordo com essas fontes, na década de 1950 no Texas, Estados Unidos, a
família Cooper realizou um sonho de toda família: eles compraram a casa
própria! Apesar de ser uma casa antiga, todos estavam muito felizes pela nova
aquisição. Mas o que deveria ser motivo de alegria e celebração, logo se tornou
algo assustador! Na primeira noite da família na nova casa, o pai decidiu tirar
uma foto de seus dois filhos nos colos de sua esposa e de sua mãe na sala de
jantar. Dias se passaram e o pai finalmente levou o rolo de filme até uma
farmácia para que as fotos fossem reveladas. Com as fotos em mãos, ele tomou um
baita susto ao ver a primeira foto tirada na nova casa:
O que parecia ser um corpo caindo
ou pendurado havia se materializado atrás deles! Obviamente, no momento em que
a foto foi tirada não havia essa sinistra figura naquele ambiente. Esse fato
fez com que essa foto ganhasse um contexto ainda mais sinistro.
✞Evidências✞
Várias teorias começaram a surgir
para tentar explicar essa manifestação, desde a aparição de um ex-inquilino da
casa até mesmo o uso fraudulento de um boneco. Entretanto já está comprovado
que a fotografia em questão e toda estória que a circunda são pura ficção. Alguns
indícios sugerem que a fotografia foi manipulada digitalmente. A presença de
sombras escuras nos quatro cantos da foto é algo comum quando se consideram
fotos tiradas com câmeras antigas, cujas lentes tinham certas limitações.
Entretanto, no caso da foto da família Cooper, essas sombras são perfeitamente
simétricas, o que na prática é algo impossível de acontecer. Isso sugere que
esse efeito possa ter sido adicionado à foto por algum software de edição de
imagens (como o Photoshop). Outro achado que levanta dúvidas é quanto à posição
da sombra do corpo, sugerindo que ele tenha sido acrescida após. A sombra está
em uma direção errada ao se comparar a posição da câmera e, consequentemente, a
direção que o flash tomaria quando disparado (basta comparar como são
incompatíveis as posições da sombra do corpo com a sombra das pessoas). Além
disso, se considerarmos que o corpo caído é um fantasma, esse deveria ter uma
sombra? As leis da física óptica se aplicam em um ser que não tem massa?
Todas essas evidências e questões
praticamente determinam que a foto nada mais seja que uma montagem. Dada à pose
do corpo, muitos internautas acreditam que a imagem de alguma bailarina tenha
sido usada como modelo, sendo recortada e colada sobre a foto da família.
Indícios sugerem que essa
fotografia tenha sido criada como um trabalho artístico de terror. Em 2009, um
indivíduo chamado Sam Cowan teve acesso a essa imagem e a postou em um fórum de
terror (ligotti.net), a intitulando como “Family Gathering”. A postagem foi
classificada na seção de artes, deixando claro que aquilo não era uma
fotografia íntegra, mas sim algo produzido. Depois, a foto foi replicada por
Xavier Ortega no site Ghost Theory, onde ela ganhou muita notoriedade pública.
Em 2013 a estória falsa envolvendo a foto e a fictícia família Cooper foi
inventada em sites como o AcidCow e Playground.ru.
✞Um
“Cooper” se manifesta!✞
Informações mais concretas sobre
a veracidade da foto foram obtidas em 2015, em um fórum focado exclusivamente
para investigar sua origem, criado por Mick West no site Metabunk. Foi quando
um usuário identificado como Robert C. fez um relato impressionante. Ele
afirmou que os garotos da foto eram ele e seu irmão. Segundo Robert, a foto foi
tirada em 1959 e o sobrenome da sua família era Copper, e não Cooper. Ele não
tinha mais a foto original, pois de acordo com ele, sua mãe tinha o hábito de
descartar as fotos que não gostava, o que incluiu essa. Ele também não fazia
ideia de como alguém teve acesso a essa foto e o fato de outra pessoa ter
acesso a uma foto de sua família lhe causou até certo desconforto. Para provar
seu relato, Robert mostrou outra foto sua e de seu irmão da mesma época em que
a fatídia fotografia foi tirada, provando que ele realmente era o garoto da
foto. Segue abaixo a declaração na íntegra de Robert Copper:
“Quando meu irmão mais velho me enviou este link, fiquei chocado.
Nós somos os dois garotos da foto. Bem, estávamos em 1959. Tenho muitas fotos
como esta, mas não esta. Minha mãe tinha o hábito de jogar fora as fotos de que
não gostava. Eventualmente, os que ela mantinha foram repassados para mim. O
que me aborrece é que alguém conseguiu uma fotografia de família. A história é
quase inteiramente ficção. Nosso sobrenome é Copper, não Cooper. Alguém sabe
quem fez isso?”
Mesmo após esses esclarecimentos,
alguns pontos ainda permanecem sem resposta. Como alguém conseguiu ter acesso a
essa foto sendo que ela foi jogada fora? O uso do sobrenome “Cooper” é muito
parecido com “Copper”, teria sido isso algo proposital ou puramente casual?
Apesar de o aspecto sobrenatural ser descartado, o mistério acerca dessa
fotografia ainda continua...
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Youtube! Confira a matéria sobre o Père Fouettard em formato de vídeo, clicando
no play abaixo:
✞Papai
Noel e seu perverso ajudante✞
O Natal é uma festividade cercada
de positividade e simbologia. Dentre esses símbolos, destacam-se o menino
Jesus, as árvores enfeitadas, os bonecos de neve e o Papai Noel. O bom velhinho
talvez seja um dos símbolos mais charmosos desse período, uma vez que ele está
sempre cercado de elementos amigáveis, como ótimos presentes, simpáticos
duendes e renas mágicas.
O que muitas pessoas não sabem é
que outros tipos de criaturas, não tão amigáveis quanto os gnomos e as renas,
também acompanham o Papai Noel na sua jornada na noite de Natal. Uma dessas
criaturas é o Père Fouettard que exerce uma função totalmente oposta ao do bom
velhinho: ele castiga as crianças más!
✞Origem✞
Essa lenda data de 1150 e surgiu
em uma região entre a França, Bélgica e Suíça. Père Fouettard era um açougueiro
que, juntamente com sua esposa, sequestrava crianças ricas para roubá-las.
Certa ocasião ele capturou 3 crianças enquanto elas se caminhavam para se
matricularem em um internato religioso (existe também a versão que diz que as crianças
foram até a casa de Père Fouettard pedir comida depois de se perderem em uma
floresta). Ele teria as dopado e depois as cortado em pedaços, colocando-os em
um barril de salmoura onde havia pedaços de carne de porco (uma estratégia para
aumentar o rendimento de seu produto).
Depois disso, um famoso bispo
turco, que depois seria canonizado como São Nicolau, apareceu em sua casa e o
açougueiro tentou agradá-lo, oferecendo sua “melhor carne”. São Nicolau teria
notado a origem daquela carne e executou um milagre: ele ressuscitou os meninos
e os levou de volta para casa de seus pais. Depois disso, o açougueiro se
mostrou muito arrependido. Graças à clemência de São Nicolau, o açougueiro se
tornou seu assistente e passou a segui-lo como forma de buscar perdão pelos
pecados cometidos.
Desde então, Père Fouettard
acompanha São Nicolau durante as festividades de seu dia (6 de dezembro). Nascido
em família rica, São Nicolau nunca ansiou desfrutar uma vida de tranquilidade e
luxo. Ao invés disso, ele escolheu compartilhar sua riqueza e levar uma vida
dedicada a ajudar a tornar o mundo melhor. Então ele partia em várias jornadas
dando presente às crianças bem comportadas, como chocolates e sapatos.
Por outro lado Père Fouettard
fazia o “serviço sujo”. Ele punia as crianças malcriadas, dando-lhes carvão no
lugar de presentes e em casos mais graves até mesmo as castigava com seu
chicote. Por causa disso, ele também é conhecido pelas alcunhas de “Pai do
Chicote” e “Velho do Chicote”. Em alguns países ele ainda é conhecido como Hans
Trapp. Dizem que o principal alvo dele são crianças que não se comportam
adequadamente com seus pais e não fazem orações. Algumas crianças muito mal
comportadas podem ainda ser até mesmo sequestradas por ele, sendo posteriormente
alvo de sua prática canibal.
Outra vertente acredita que a
lenda tenha surgido durante a Guerra Italiana, quando o rei francês Henrique II
declarou guerra ao sacro imperador romano, Carlos V, com a intenção de impedir
o avanço do Império Romano sobre as terras francesas. Em uma batalha chamada
“Cerco de Metz”, ocorrida em na cidade francesa de Metz em 1552, a estátua do
Rei Carlos V foi queimada e arrastada pela população resistente. No local em
que ela se situava, curtidores a substituíram por uma estátua de um homem armado
com chicote e correntes, chamada de “Pai do Chicote”. Quando a batalha se
cessou e a cidade foi liberada, os civis que retornaram se depararam com aquela
estátua. Esse evento coincidiu com a festividade de São Nicolau, então logo foi
feita a associação daquela estátua com a contraparte negativa do santo.
✞Aparência✞
Père Fouettard é descrito como um
homem de rosto sinistro e cheio de fuligem, que veste roupas escuras, tem
cabelos e barba compridos e desgrenhados que ocupam boa parte de seu rosto.
Sempre armado com um chicote do tipo martinet e um bastão grande, ele também
porta um saco na qual algumas crianças podem ser colocadas e levadas. Nas suas
costas ele também leva alguns feixes de madeira. Algumas representações o mostram
quase idêntico a São Nicolau/Papai Noel, mas usando trajes negros.
Dizem também que ele é bastante
barulhento. Ele anda estalando seu chicote, chocalhando correntes e tocando
sino. Seus passos são tão pesados que podem ser ouvidos a distância.
Outras representações o ilustram
como um homem negro, em alusão a fuligem das chaminés que grudam em sua pele
quando ele desce por elas. Entretanto, grupos protestaram contra um possível
teor racista dessa representação e pediram a abolição do personagem.
✞Acompanhantes
de São Nicolau✞
Em diferentes países europeus, é
descrito que seres monstruosos, além do Père Fouettard, também acompanham São
Nicolau durante sua festividade. Eles também são considerados uma contraparte
negativa do santo. Enquanto São Nicolau age como uma boa pessoa, presenteando
crianças merecedoras, os outros acompanhantes desempenham a função de castigar
as crianças mal comportas. São exemplo dessas criaturas, além do Père
Fouettard, o Krampus, Necht Ruprecht, Schmutzli, Frau Perchta (uma bruxa
austríaca), Jólakötturin (um ser mitológico felino de origem islandesa) e Zwarte
Piet (também chamado de Peter Negro, uma versão holandesa do Père Fouettard).
Da mesma forma que o Père
Fouettard, vários desses personagens também são associados ao Papai Noel e à
festividade no Natal. O motivo dessa ligação será mais bem explicado no tópico
a seguir.
✞Relação
com o Papai Noel✞
Muitos leitores que chegaram até
esse ponto do texto não devem estar entendendo uma coisa: se o Père Fouettard
foi apresentado como um acompanhante do Papai Noel no início do texto, por que
toda sua origem está relacionada a São Nicolau? Quando o bom velhinho será
incluído nessa estória?
As respostas para essas questões
são muito simples. Como o Dia de São Nicolau é próximo ao Natal, com o passar
do tempo as duas celebrações se fundiram em muitos países. Ambas passaram a ser
celebradas no dia 25 de dezembro. Dessa forma, a simbologia de São Nicolau em presentear
crianças boas se tornou parte da celebração do Natal. Por isso as pessoas
começaram a trocar presentes nessa celebração e essa se tornou a principal data
comercial do ano.
Entretanto, São Nicolau tem uma representatividade
bastante limitada. Em outras palavras, ele abrange apenas a crença de parte das
pessoas que seguem o cristianismo, ou seja, os católicos. Outras religiões (até
mesmo aquelas dentro do próprio cristianismo, como os protestantes) não viam
motivo para comprarem presentes no Natal, já que essa era uma prática ligada ao
dia de São Nicolau. Então para desassociar a imagem dos presentes à religião e
fomentar ainda mais a economia durante o Natal, surgiu a imagem do Papai Noel
para substituir São Nicolau. O Papai Noel funcionaria como símbolo essencialmente
econômico, deixando toda a religiosidade de lado. Apesar da mudança de
conceitos, a imagem do Papai Noel foi totalmente inspirada em São Nicolau: um
bom velhinho que presenteia as boas crianças. Alguns outros elementos foram
adicionados para distingui-lo do santo, como os gnomos, as renas e sua casa no Polo
Norte. Mas de uma forma em geral, Papai Noel foi apenas um “nome fantasia”
atribuído a São Nicolau, de forma a deixa-lo popular em outras crenças além do
catolicismo. Dessa forma, todos os aspectos que cercavam São Nicolau
acompanharam o Papai Noel, incluindo o Père Fouettard (assim como seus outros
assistentes macabros, como o Krampus, Frau Perchta, etc...).
Só a título de curiosidade, a
imagem do Papai Noel atual foi uma invenção norte-americana inspirada em São Nicolau,
feita pelo desenhista Clement C. Moore em 1822. Mais tarde (a partir da década
de 1930), o Papai Noel ganharia ainda mais popularidade com sua imagem sendo
fomentada nas campanhas publicitárias da Coca-Cola durante o Natal.
Por causa da inspiração em São
Nicolau, atualmente o Père Fouettard é considerado um elemento natalino que
representa a contraparte do bom velhinho, praticamente um anti-Papai Noel. Ele
acompanha o bom velhinho nas noites de Natal para punir as crianças que se
comportam mal, presenteando-as com carvão e até mesmo as chicoteando.
✞Père
Fouettard na cultura popular✞
O personagem Père Fouettard é
citado algumas vezes na cultura popular, principalmente na França. O Père
Fouettard é citado na música “La Fille du Père Noël” (A Filha do Papai Noel) de
Jacques Dutronc. Nessa canção é mencionado que o filho do Père Fouettard tem
uma queda pela filha do Papai Noel. Ele também é mencionado na canção na canção
"Venez Venez St. Nicolas" de Alain DeLorme. Uma peça de piano criada
em 1848 por Robert Schumann intitulada como Knecht Ruprecht (outro companheiro
de São Nicolau, conforme já abordado) também foi conhecida popularmente como “Le
Père Fouettard”.
Em Paris, existe um restaurante
chamado “Le Père Fouettard” na rua Pierre Lescot. A rede de perfumes francesa
chamada “Black Phoenix Alchemy Lab” criou uma linha de fragrâncias chamada “Le
Père Fouettard” em 2008, produzida a partir de couro de chicote, pó de carvão,
gaufrette e alcaçuz preto.
A animação “Le Monde secret du
Père Noël” (O Mundo Secreto do Papai Noel) trouxe o Père Fouettard como
antagonista . Nessa ocasião ele foi rebatizado de “Gruzzlebeard”.