segunda-feira, 1 de março de 2021

O TÚMULO DA CRIANÇA AFOGADA – Fonte de uma água milagrosa!

 

Gustavo Valente

 

✞A tragédia de Maria Gilda✞

 

A garotinha Maria Gilda nasceu dia 4 de setembro de 1922 no município de Santa Leopoldina, Espírito Santo. Maria Guilda pertencia à importante família Reinsen, uma das mais importantes da cidade. Seus pais eram Lúcia Reisen e Silvestre Ferreira, um conhecido farmacêutico local. Sua avó, Maria Zelinda Avancini era considerada uma das pessoas mais caridosas daquela região. Mas com apenas 5 meses de vida, Maria Gilda foi vítima de um horrível acidente doméstico. No dia 23 de janeiro de 1923, a avó da menina estava dando um banho na pequena garota em uma bacia. Depois de finalizar o banho, a avó teria a deixado sozinha na bacia rapidamente, apenas para buscar uma toalha em outro cômodo. Quando ela voltou, teve uma desagradável surpresa: Maria Guilda estava afogada.

 




 

✞O sepultamento e a manifestação✞

 

Maria Guilda foi sepultada no cemitério Campo Santo, localizado no próprio município de Santa Leopoldina. De acordo com o escrito Francisco Schwarz, esse foi um dos enterros mais “concorridos dos já realizados na cidade”. Algumas fontes afirmam que durante o cortejo, a mãe de Maria Gilda levou consigo a bacia na qual a filha havia se vitimado. Quando o caixão foi colocado na cova, a mãe teria jogado a bacia por cima e dito: “Já que você levou minha filha, agora minha filha vai levar você...”.

 

No local em que foi enterrada foi construído um pequeno mausoléu de interior oco e concretado para homenagear a pequena menina. Esse caso seria só mais uma fatalidade que eventualmente acontece, e seria esquecida com o passar do tempo. Entretanto, uma curiosa manifestação vem ocorrendo no túmulo de Maria Guilda por mais de 95 anos. O túmulo da garotinha se enche de água!




 Mesmo em períodos de estiagem, a água continua brotando do túmulo da menina e se acumulando sob o concreto do fundo do mausoléu. De acordo com Jeferson Rodrigues, guia turístico da região, “o túmulo fica acima da terra em uma barra de concreto. E como tem água? Muita gente fala que é o coveiro, mas seria uma tradição de muito tempo se fosse verdade”. De acordo com esses relatos, percebe-se que suspeitas sobre a veracidade da manifestação são levantadas. Mas como o próprio guia afirmou, esse evento ocorre a muito tempo (mais de 95 anos) vários coveiros e administrações já passaram por aquele local. É pouco improvável que todos eles levassem uma fraude à diante por um período tão longo quanto esse. Jeferson também afirmou que alguns geólogos tentaram desvendar o mistério da origem daquela água, mas não tiveram êxito no estudo. O túmulo tem camadas de concreto, mármore e tijolo. Portanto mesmo que existisse uma nascente de água sob o mausoléu, essa não seria capaz de infiltrar por todas essas camadas.

 

 

✞Vigílias no local✞

 

O mistério em volta da água que brota do túmulo de Maria Gilda acabou atraindo a atenção de muitos turistas e curiosos. Várias caravanas são organizadas até o local para que as pessoas possam presenciar essa manifestação. Alguns ainda acreditam que essa água tem propriedades milagrosas. De acordo com o ex-coveiro do local, Luciano Lichtenheld, “veio uma senhora de Vitória e disse que o marido dela foi curado de câncer. Alguma coisa tem naquela água”. Ele também afirma que um indivíduo de Cachoeira do Itapemirim certa vez coletou um pouco de água em uma garrafa e levou até sua esposa, que tinha uma doença incurável. Depois de tomar a água, a mulher se recuperou totalmente. O homem então retornou até o cemitério para presentear Maria Gilda com uma rosa. Entretanto, o coveiro aposentado também afirmou que não é recomendado que essa água seja bebida, uma vez que a Secretaria de Saúde do município adiciona um produto àquela água para prevenir a proliferação de larvas de mosquitos. Já foi até mesmo levantado a hipótese de perfurar o túmulo para a água escoar e evitar seu acúmulo. Mas o lado cultural e turístico até o momento falou mais alto, e o túmulo continua lá até hoje, acumulando água sem parar.

 



 

✞Referências✞

 

Capixaba da Gema à https://cutt.ly/Pfo8ON6

Gazeta Online à https://cutt.ly/FfofXxj

GShow à https://cutt.ly/1faT7VT

 

 

 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

MOÇA FANTASMA DA SAVASSI – A assombração que busca um amor!

 

Gustavo Valente

 

✞O Bairro Savassi de Belo Horizonte ✞

 

A Savassi é um dos bairros mais nobres e boêmios da região centro-sul de Belo Horizonte. A origem do nome do bairro data da década de 1930, quando os três irmãos imigrantes italianos, chamados Achille, Arturo e Angelo Savazzi, fundaram uma padaria na região.  Com o passar do tempo, a praça Treze de Maio (hoje chamada de praça Diogo de Vasconcelos), onde a padaria se localizava, ficou popularmente conhecida com o sobrenome da família, que foi abrasileirado de “Savazzi” para “Savassi”.

 

Se Belo Horizonte é conhecida como a capital mundial dos bares, muito se deve a essa região. A Savassi é uma região que mais concentra os famosos e marcantes bares e botecos que caracterizam a capital mineira. Mas o que poucas pessoas sabem é que além das várias lojas, restaurantes e bares presentes no local, as ruas da Savassi também são alvo de uma entidade sobrenatural que por anos assombra esse bairro em busca de um amor.

 

 

Bairro Savassi - Belo Horizonte


✞A assombração apaixonada ✞

 

Diz a lenda que durante as madrugadas, uma moça fantasma usando vestido branco surge entre a neblina da Serra do Curral (cadeia montanhosa presente na região sul de Belo Horizonte) e desce até a Savassi, onde caminha à procura de um amor. Essa mulher teria morrido jovem, sem tempo de viver um grande romance. Seu espírito então continuou nesse plano e assombra as ruas da Savassi em busca de um amor. Dizem que um forte cheiro de dama da noite, magnólia e jasmim fica impregnado no local por onde ela passa. Além disso, sua presença também é capaz de causar falhas na rede elétrica. Por algum motivo, ela nunca avança além da Rua Ceará e misteriosamente desaparece quando surge o primeiro raio de sol ao amanhecer.

 

Segundo a pesquisadora Heloísa Maria Murgel Starling (Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais), “a Moça Fantasma representa os amores sem dia seguinte, a fugacidade das relações modernas, as histórias que podem durar só uma noite”.

 




 

✞A moça fantasma na cultura popular ✞

 

A lenda urbana da Moça Fantasma foi utilizada até mesmo por Carlos Drummond de Andrade para compor a “Canção da Moça Fantasma”. O poeta aborda metaforicamente a solidão da assombração para comparar com o seu isolamento e de toda humanidade. No poema também são abordadas algumas informações interessantes sobre essa manifestação sobrenatural, como as possíveis ruas onde o espectro aparece (Rua do Chumbo, Rua Cláudio Manuel da Costa e Avenida Paraúna), seu nome real (Maria) e sua aparência (branca, de cabelos compridos). Carlos Drummond de Andrade também aborda e ratifica alguns pontos já conhecidos no imaginário popular, como o fato dela descer pela Serra do Curral, dela não avança pela Rua Ceará e dela desparecer com o raiar do sol.


Ficou curioso e com vontade de ler o poema de Drummond? Então o confira abaixo, na íntegra!

 

Canção da Moça Fantasma

 

Eu sou a Moça-Fantasma

que espera na Rua do Chumbo

o carro da madrugada.

Eu sou branca e longa e fria,

a minha carne é um suspiro

na madrugada da serra.

Eu sou a Moça-Fantasma.

O meu nome era Maria,

Maria-Que-Morreu-Antes.

 

Sou a vossa namorada

que morreu de apendicite,

no desastre de automóvel

ou suicidou-se na praia

e seus cabelos ficaram

longos na vossa lembrança.

Eu nunca fui deste mundo:

Se beijava, minha boca

dizia de outros planetas

em que os amantes se queimam

num fogo casto e se tornam

estrelas, sem irônia.

 

Morri sem ter tido tempo

de ser vossa, como as outras.

Não me conformo com isso,

e quando as polícias dormem

em mim e foi-a de mim,

meu espectro itinerante

desce a Serra do Curral,

vai olhando as casas novas,

ronda as hortas amorosas

(Rua Cláudio Manuel da Costa),

pára no Abrigo Ceará,

nao há abrigo. Um perfume

que não conheço me invade:

é o cheiro do vosso sono

quente, doce, enrodilhado

nos braços das espanholas.

Oh! deixai-me dormir convosco.

 

E vai, como não encontro

nenhum dos meus namorados,

que as francesas conquistaram,

e cine beberam todo o uísque

existente no Brasil

(agora dormem embriagados),

espreito os Carros que passam

com choferes que não suspeitam

de minha brancura e fogem.

Os tímidos guardas-civis,

coitados! um quis me prender.

Abri-lhe os braços… Incrédulo,

me apalpou. Não tinha carne

e por cima do vestido

e por baixo do vestido

era a mesma ausência branca,

um só desespero branco…

Podeis ver: o que era corpo

foi comido pelo gato.

 

As moças que’ ainda estão vivas

(hão de morrer, ficai certos)

têm medo que eu apareça

e lhes puxe a perna… Engano.

 

Eu fui moça, Serei moça

deserta, per omnia saecula.

 

Não quero saber de moças.

Mas os moços me perturbam.

Não sei como libertar-me.

Se o fantasma não sofresse,

se eles ainda me gostassem

e o espiritismo consentisse,

mas eu sei que é proibido

vós sois carne, eu sou vapor.

 

Um vapor que se dissolve

quando o sol rompe na Serra.

 

Agora estou consolada,

disse tu do que queria,

subirei àquela nuvem,

serei lâmina gelada,

cintilarei sobre os homens.

 

Meu reflexo na piscina da Avenida Paraúna

(estrelas não se compreendem),

ninguém o compreenderá.

 

 

✞Referências✞

G1 à https://cutt.ly/Wfue4J1

Fantasmas da Cidade Moderna à https://cutt.ly/LfiDVM6

Passei Web à https://cutt.ly/OfurHmr

Sesc à https://cutt.ly/kfiDSFq

Wikipédia à https://cutt.ly/NfueOZ5

 

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A FOTO DA FAMÍLIA COOPER – Aparição amedrontadora!


Tsug


O blog "Cabana do Terror" agora tem um canal no Youtube! Confira a matéria sobre a Maria Papuda em formato de vídeo, clicando no play abaixo:




 

✞A família Cooper adquire uma casa✞

 

A lenda sobre a foto em questão é descrita em vários fóruns na internet e foi publicada no livro “Urban Legend: The True Story of the Cooper Family Falling Body Photo”, de Richard Ramsdell. De acordo com essas fontes, na década de 1950 no Texas, Estados Unidos, a família Cooper realizou um sonho de toda família: eles compraram a casa própria! Apesar de ser uma casa antiga, todos estavam muito felizes pela nova aquisição. Mas o que deveria ser motivo de alegria e celebração, logo se tornou algo assustador! Na primeira noite da família na nova casa, o pai decidiu tirar uma foto de seus dois filhos nos colos de sua esposa e de sua mãe na sala de jantar. Dias se passaram e o pai finalmente levou o rolo de filme até uma farmácia para que as fotos fossem reveladas. Com as fotos em mãos, ele tomou um baita susto ao ver a primeira foto tirada na nova casa:



 

 

O que parecia ser um corpo caindo ou pendurado havia se materializado atrás deles! Obviamente, no momento em que a foto foi tirada não havia essa sinistra figura naquele ambiente. Esse fato fez com que essa foto ganhasse um contexto ainda mais sinistro.

 

 

✞Evidências✞

 

Várias teorias começaram a surgir para tentar explicar essa manifestação, desde a aparição de um ex-inquilino da casa até mesmo o uso fraudulento de um boneco. Entretanto já está comprovado que a fotografia em questão e toda estória que a circunda são pura ficção. Alguns indícios sugerem que a fotografia foi manipulada digitalmente. A presença de sombras escuras nos quatro cantos da foto é algo comum quando se consideram fotos tiradas com câmeras antigas, cujas lentes tinham certas limitações. Entretanto, no caso da foto da família Cooper, essas sombras são perfeitamente simétricas, o que na prática é algo impossível de acontecer. Isso sugere que esse efeito possa ter sido adicionado à foto por algum software de edição de imagens (como o Photoshop). Outro achado que levanta dúvidas é quanto à posição da sombra do corpo, sugerindo que ele tenha sido acrescida após. A sombra está em uma direção errada ao se comparar a posição da câmera e, consequentemente, a direção que o flash tomaria quando disparado (basta comparar como são incompatíveis as posições da sombra do corpo com a sombra das pessoas). Além disso, se considerarmos que o corpo caído é um fantasma, esse deveria ter uma sombra? As leis da física óptica se aplicam em um ser que não tem massa?

 

Todas essas evidências e questões praticamente determinam que a foto nada mais seja que uma montagem. Dada à pose do corpo, muitos internautas acreditam que a imagem de alguma bailarina tenha sido usada como modelo, sendo recortada e colada sobre a foto da família.




 

Indícios sugerem que essa fotografia tenha sido criada como um trabalho artístico de terror. Em 2009, um indivíduo chamado Sam Cowan teve acesso a essa imagem e a postou em um fórum de terror (ligotti.net), a intitulando como “Family Gathering”. A postagem foi classificada na seção de artes, deixando claro que aquilo não era uma fotografia íntegra, mas sim algo produzido. Depois, a foto foi replicada por Xavier Ortega no site Ghost Theory, onde ela ganhou muita notoriedade pública. Em 2013 a estória falsa envolvendo a foto e a fictícia família Cooper foi inventada em sites como o AcidCow e Playground.ru.

 

 

✞Um “Cooper” se manifesta!✞

 

Informações mais concretas sobre a veracidade da foto foram obtidas em 2015, em um fórum focado exclusivamente para investigar sua origem, criado por Mick West no site Metabunk. Foi quando um usuário identificado como Robert C. fez um relato impressionante. Ele afirmou que os garotos da foto eram ele e seu irmão. Segundo Robert, a foto foi tirada em 1959 e o sobrenome da sua família era Copper, e não Cooper. Ele não tinha mais a foto original, pois de acordo com ele, sua mãe tinha o hábito de descartar as fotos que não gostava, o que incluiu essa. Ele também não fazia ideia de como alguém teve acesso a essa foto e o fato de outra pessoa ter acesso a uma foto de sua família lhe causou até certo desconforto. Para provar seu relato, Robert mostrou outra foto sua e de seu irmão da mesma época em que a fatídia fotografia foi tirada, provando que ele realmente era o garoto da foto. Segue abaixo a declaração na íntegra de Robert Copper:

 

“Quando meu irmão mais velho me enviou este link, fiquei chocado. Nós somos os dois garotos da foto. Bem, estávamos em 1959. Tenho muitas fotos como esta, mas não esta. Minha mãe tinha o hábito de jogar fora as fotos de que não gostava. Eventualmente, os que ela mantinha foram repassados ​​para mim. O que me aborrece é que alguém conseguiu uma fotografia de família. A história é quase inteiramente ficção. Nosso sobrenome é Copper, não Cooper. Alguém sabe quem fez isso?”

 





Mesmo após esses esclarecimentos, alguns pontos ainda permanecem sem resposta. Como alguém conseguiu ter acesso a essa foto sendo que ela foi jogada fora? O uso do sobrenome “Cooper” é muito parecido com “Copper”, teria sido isso algo proposital ou puramente casual? Apesar de o aspecto sobrenatural ser descartado, o mistério acerca dessa fotografia ainda continua...

 

 

✞Referências✞

Anomalies à https://cutt.ly/pd4h01Y

Metabunk à https://cutt.ly/fd7tyUc 

The Museum of Hoaxes à https://cutt.ly/pd8yjuo

Urban Legend: The True Story of the Cooper Family Falling Body Photo à https://cutt.ly/dd7uDPz




quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

PÈRE FOUETTARD – O cruel ajudante do Papai Noel!

 

Tsug

 

O blog "Cabana do Terror" agora tem um canal no Youtube! Confira a matéria sobre o Père Fouettard em formato de vídeo, clicando no play abaixo:





✞Papai Noel e seu perverso ajudante✞

 


O Natal é uma festividade cercada de positividade e simbologia. Dentre esses símbolos, destacam-se o menino Jesus, as árvores enfeitadas, os bonecos de neve e o Papai Noel. O bom velhinho talvez seja um dos símbolos mais charmosos desse período, uma vez que ele está sempre cercado de elementos amigáveis, como ótimos presentes, simpáticos duendes e renas mágicas.

 

O que muitas pessoas não sabem é que outros tipos de criaturas, não tão amigáveis quanto os gnomos e as renas, também acompanham o Papai Noel na sua jornada na noite de Natal. Uma dessas criaturas é o Père Fouettard que exerce uma função totalmente oposta ao do bom velhinho: ele castiga as crianças más!

 

 

✞Origem✞

 

Essa lenda data de 1150 e surgiu em uma região entre a França, Bélgica e Suíça. Père Fouettard era um açougueiro que, juntamente com sua esposa, sequestrava crianças ricas para roubá-las. Certa ocasião ele capturou 3 crianças enquanto elas se caminhavam para se matricularem em um internato religioso (existe também a versão que diz que as crianças foram até a casa de Père Fouettard pedir comida depois de se perderem em uma floresta). Ele teria as dopado e depois as cortado em pedaços, colocando-os em um barril de salmoura onde havia pedaços de carne de porco (uma estratégia para aumentar o rendimento de seu produto).

 


Depois disso, um famoso bispo turco, que depois seria canonizado como São Nicolau, apareceu em sua casa e o açougueiro tentou agradá-lo, oferecendo sua “melhor carne”. São Nicolau teria notado a origem daquela carne e executou um milagre: ele ressuscitou os meninos e os levou de volta para casa de seus pais. Depois disso, o açougueiro se mostrou muito arrependido. Graças à clemência de São Nicolau, o açougueiro se tornou seu assistente e passou a segui-lo como forma de buscar perdão pelos pecados cometidos.

 

Desde então, Père Fouettard acompanha São Nicolau durante as festividades de seu dia (6 de dezembro). Nascido em família rica, São Nicolau nunca ansiou desfrutar uma vida de tranquilidade e luxo. Ao invés disso, ele escolheu compartilhar sua riqueza e levar uma vida dedicada a ajudar a tornar o mundo melhor. Então ele partia em várias jornadas dando presente às crianças bem comportadas, como chocolates e sapatos.

 

Por outro lado Père Fouettard fazia o “serviço sujo”. Ele punia as crianças malcriadas, dando-lhes carvão no lugar de presentes e em casos mais graves até mesmo as castigava com seu chicote. Por causa disso, ele também é conhecido pelas alcunhas de “Pai do Chicote” e “Velho do Chicote”. Em alguns países ele ainda é conhecido como Hans Trapp. Dizem que o principal alvo dele são crianças que não se comportam adequadamente com seus pais e não fazem orações. Algumas crianças muito mal comportadas podem ainda ser até mesmo sequestradas por ele, sendo posteriormente alvo de sua prática canibal.

 

Outra vertente acredita que a lenda tenha surgido durante a Guerra Italiana, quando o rei francês Henrique II declarou guerra ao sacro imperador romano, Carlos V, com a intenção de impedir o avanço do Império Romano sobre as terras francesas. Em uma batalha chamada “Cerco de Metz”, ocorrida em na cidade francesa de Metz em 1552, a estátua do Rei Carlos V foi queimada e arrastada pela população resistente. No local em que ela se situava, curtidores a substituíram por uma estátua de um homem armado com chicote e correntes, chamada de “Pai do Chicote”. Quando a batalha se cessou e a cidade foi liberada, os civis que retornaram se depararam com aquela estátua. Esse evento coincidiu com a festividade de São Nicolau, então logo foi feita a associação daquela estátua com a contraparte negativa do santo.

 

 

✞Aparência✞

 

Père Fouettard é descrito como um homem de rosto sinistro e cheio de fuligem, que veste roupas escuras, tem cabelos e barba compridos e desgrenhados que ocupam boa parte de seu rosto. Sempre armado com um chicote do tipo martinet e um bastão grande, ele também porta um saco na qual algumas crianças podem ser colocadas e levadas. Nas suas costas ele também leva alguns feixes de madeira. Algumas representações o mostram quase idêntico a São Nicolau/Papai Noel, mas usando trajes negros.

 

Dizem também que ele é bastante barulhento. Ele anda estalando seu chicote, chocalhando correntes e tocando sino. Seus passos são tão pesados que podem ser ouvidos a distância.

 

Outras representações o ilustram como um homem negro, em alusão a fuligem das chaminés que grudam em sua pele quando ele desce por elas. Entretanto, grupos protestaram contra um possível teor racista dessa representação e pediram a abolição do personagem.




  

✞Acompanhantes de São Nicolau✞

 

Em diferentes países europeus, é descrito que seres monstruosos, além do Père Fouettard, também acompanham São Nicolau durante sua festividade. Eles também são considerados uma contraparte negativa do santo. Enquanto São Nicolau age como uma boa pessoa, presenteando crianças merecedoras, os outros acompanhantes desempenham a função de castigar as crianças mal comportas. São exemplo dessas criaturas, além do Père Fouettard, o Krampus, Necht Ruprecht, Schmutzli, Frau Perchta (uma bruxa austríaca), Jólakötturin (um ser mitológico felino de origem islandesa) e Zwarte Piet (também chamado de Peter Negro, uma versão holandesa do Père Fouettard).

 

Da mesma forma que o Père Fouettard, vários desses personagens também são associados ao Papai Noel e à festividade no Natal. O motivo dessa ligação será mais bem explicado no tópico a seguir.




 

 

✞Relação com o Papai Noel✞

 

Muitos leitores que chegaram até esse ponto do texto não devem estar entendendo uma coisa: se o Père Fouettard foi apresentado como um acompanhante do Papai Noel no início do texto, por que toda sua origem está relacionada a São Nicolau? Quando o bom velhinho será incluído nessa estória?

 

As respostas para essas questões são muito simples. Como o Dia de São Nicolau é próximo ao Natal, com o passar do tempo as duas celebrações se fundiram em muitos países. Ambas passaram a ser celebradas no dia 25 de dezembro. Dessa forma, a simbologia de São Nicolau em presentear crianças boas se tornou parte da celebração do Natal. Por isso as pessoas começaram a trocar presentes nessa celebração e essa se tornou a principal data comercial do ano.


 Entretanto, São Nicolau tem uma representatividade bastante limitada. Em outras palavras, ele abrange apenas a crença de parte das pessoas que seguem o cristianismo, ou seja, os católicos. Outras religiões (até mesmo aquelas dentro do próprio cristianismo, como os protestantes) não viam motivo para comprarem presentes no Natal, já que essa era uma prática ligada ao dia de São Nicolau. Então para desassociar a imagem dos presentes à religião e fomentar ainda mais a economia durante o Natal, surgiu a imagem do Papai Noel para substituir São Nicolau. O Papai Noel funcionaria como símbolo essencialmente econômico, deixando toda a religiosidade de lado. Apesar da mudança de conceitos, a imagem do Papai Noel foi totalmente inspirada em São Nicolau: um bom velhinho que presenteia as boas crianças. Alguns outros elementos foram adicionados para distingui-lo do santo, como os gnomos, as renas e sua casa no Polo Norte. Mas de uma forma em geral, Papai Noel foi apenas um “nome fantasia” atribuído a São Nicolau, de forma a deixa-lo popular em outras crenças além do catolicismo. Dessa forma, todos os aspectos que cercavam São Nicolau acompanharam o Papai Noel, incluindo o Père Fouettard (assim como seus outros assistentes macabros, como o Krampus, Frau Perchta, etc...).

 

Só a título de curiosidade, a imagem do Papai Noel atual foi uma invenção norte-americana inspirada em São Nicolau, feita pelo desenhista Clement C. Moore em 1822. Mais tarde (a partir da década de 1930), o Papai Noel ganharia ainda mais popularidade com sua imagem sendo fomentada nas campanhas publicitárias da Coca-Cola durante o Natal.

 

Por causa da inspiração em São Nicolau, atualmente o Père Fouettard é considerado um elemento natalino que representa a contraparte do bom velhinho, praticamente um anti-Papai Noel. Ele acompanha o bom velhinho nas noites de Natal para punir as crianças que se comportam mal, presenteando-as com carvão e até mesmo as chicoteando.


 

 

✞Père Fouettard na cultura popular✞

 

O personagem Père Fouettard é citado algumas vezes na cultura popular, principalmente na França. O Père Fouettard é citado na música “La Fille du Père Noël” (A Filha do Papai Noel) de Jacques Dutronc. Nessa canção é mencionado que o filho do Père Fouettard tem uma queda pela filha do Papai Noel. Ele também é mencionado na canção na canção "Venez Venez St. Nicolas" de Alain DeLorme. Uma peça de piano criada em 1848 por Robert Schumann intitulada como Knecht Ruprecht (outro companheiro de São Nicolau, conforme já abordado) também foi conhecida popularmente como “Le Père Fouettard”.

 

Em Paris, existe um restaurante chamado “Le Père Fouettard” na rua Pierre Lescot. A rede de perfumes francesa chamada “Black Phoenix Alchemy Lab” criou uma linha de fragrâncias chamada “Le Père Fouettard” em 2008, produzida a partir de couro de chicote, pó de carvão, gaufrette e alcaçuz preto.

 

A animação “Le Monde secret du Père Noël” (O Mundo Secreto do Papai Noel) trouxe o Père Fouettard como antagonista . Nessa ocasião ele foi rebatizado de “Gruzzlebeard”.




 

✞Referências✞

Coca Cola à https://cutt.ly/QdKclpT

Curious Rambler à https://cutt.ly/MdVStoX

French Entrée à https://cutt.ly/jdVZauF

History Answers à https://cutt.ly/OdPY2Pf

Holidappy à https://cutt.ly/SdF8y6Z

Oásis à https://cutt.ly/HdKfeuC

Wikipedia à https://cutt.ly/xdT02Q2