quarta-feira, 10 de junho de 2020

BURACO MEL – O poço sem fundo que ressuscita animais!


Gustavo Valente


✞Revelação de um local misterioso✞

Radio host Art Bell died of accidental drug overdose | Las Vegas ...
Radialista Art Bell
Tudo começou com o programa Coast to Coast AM, um famoso talk-show comandado pelo radialista Art Bell que abordava tópicos relacionados a teorias da conspiração e questões paranormais. O Coast to Coast AM era um programa de rádio noturno que contava com uma audiência semanal de aproximadamente 2,75 milhões de pessoas e era transmitido em mais de 600 estações de rádio nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Na edição de 21 de fevereiro de 1997 Bell recebeu um fax de ouvinte chamado Mel Waters, que relatava um local misterioso. Bell não teve dúvidas em ligar para esse ouvinte e coloca-lo no ar para contar essa estória.

Embora não tenha dado detalhes mais específicos sobre a localização exata, Waters afirmou que em sua antiga pequena propriedade rural a 15 quilômetros a oeste do município de Ellensburg (no Condado de Kittitas, Estado de Washington) existia um buraco misterioso, com cerca de um metro e oitenta de largura e com um muro de pedra de um metro de altura ao seu redor. Até então, nada de anormal. Era apenas mais um poço.

De acordo com Mel, ele tinha comprado a propriedade há dois anos. O proprietário anterior havia vivido lá por aproximadamente 40 anos. Desde a época do antigo proprietário, aproximadamente 20 pessoas da região sempre usavam o buraco para descarte de materiais velhos, como geladeiras, pneus ​​e até mesmo animais mortos. Mas por algum motivo, aquele buraco nunca se enchia. Mesmo após entulhos e entulhos serem despejados nele, não era possível nem mesmo enxergar seu fundo. Ninguém também jamais ouviu o som do impacto de algum objeto descartado atingindo uma superfície.

Getting to the bottom of Mel's Hole | News | dailyrecordnews.comIsso despertou muito o interesse em Mel Waters em saber qual seria a profundidade daquele buraco. Ex-pescador de tubarão, como ele se auto intitulou, ele decidiu usar linhas de pesca de 20 libras para tentar atingir o fundo. Inicialmente ele usou 1.500 pés de linha (460 metros) com uma bala (da marca “Lifesavers Candy”, que é parecida com Mentos) amarrada na ponta. Sua teoria se fundamentava na crença de que o fundo daquele buraco seria preenchido com água e, ao atingir essa camada, bala seria dissolvida pela umidade. Mas após recolher a linha, a bala continuava inteira e totalmente seca. Então ele partiu pra sua segunda tentativa: amarrou um peso de meio quilo na ponta da linha para tentar sentir quando ele tocasse fundo. Emendando linha após linha, ele chegou a usar 80.000 pés (quase 24,5 km) de linha e o peso ainda não havia tocado nenhuma superfície. Por causa disso, Mel passou a considerar aquele buraco como um poço sem fundo.

O público do Coast to Coast AM ficou bastante intrigado com aquele relato. Logo após a participação de Mel, várias pessoas ligaram para Art Bell propondo algumas estratégias para determinar o quão profundo seria aquele poço. Desde o uso de radares e até mesmo atirar um gato vivo, os ouvintes eram muito criativos em suas ideias, mas nenhum dava uma solução definitiva. Art Bell chegou a sugerir que um voluntário fosse abaixado pelo poço para informar o que havia nele, mas o próprio Mel se mostrou contrário a isso por não ser possível garantir a segurança. Mesmo assim, alguns ouvintes entraram em contato se voluntariando a descer pelo poço.

Em um ponto da entrevista, Art Bell perguntou se Mel pularia no buraco se soubesse que estava com uma doença terminal. Mel surpreendentemente disse que sim e relatou que em seu testamento constava seu desejo de ter o corpo depositado nele quando morresse.

Despierta al futuro: El perturbador caso del agujero de Mel


✞Casos sobrenaturais cercam o buraco✞

Certa vez um caçador utilizou o buraco para se livrar do cadáver de seu cão, mas dia depois o cão apareceu vivo, correndo nas florestas da redondeza usando a mesma coleira. Desde então o buraco ficou conhecido como um local mágico capaz de ressuscitar animais mortos cujos corpos tenham sido lançados nele (isso lembra muito o enredo do filme “Cemitério Maldito”). Apesar disso, os animais pareciam temer o buraco. Mel relata que seus cães o seguiam para todo local, mas eles jamais se aproximavam quando ele ia em direção ao buraco. Mesmo quando tentavam puxa-los, os animais cravavam suas patas no chão e resistiam. Até mesmo os animais que ele criava nas pastagens da propriedade nunca se aproximaram daquele local.

Outros acontecimentos estranhos também foram relatados durante a entrevista. Waters afirmou que certa vez presenciou, juntamente com outras testemunhas, um feixe negro saindo do buraco. Logo após, rádios portáteis que alguns levavam se ligaram e começaram a tocar transmissões de rádios antigas. Mesmo quando se tentou mudar a sintonia do rádio, ele permanecia nessa mesma estação que tocava músicas antigas.


Mel Waters fez novas participações no programa Coast to Coast AM no ano de 2002 (que serão melhores detalhadas em tópico específico). Nessas edições ele destacou algumas informações novas, como a capacidade do poço em alterar a propriedade de metais. De acordo com Mel Waters, ao segurar um objeto de metal próximo à entrada do poço eles se transformariam magicamente em outros tipos de metais. Além disso, Mel Waters afirmou que certo dia ele achou um envelope chinês contendo moedas em seu interior. Eram moedas de 10 centavos fabricadas em 1943, estampando o rosto do presidente Roosevelt. Entretanto, nessa data não existiam moedas de 10 centavos com o rosto de Roosevelt. Além disso, moedas norte-americanas sempre indiciam a inicial da cidade em que elas são fabricadas. No caso dessas misteriosas moedas, a marcação era a letra “B”. Só que nenhuma cidade que fabricava moedas nos Estados Unidos em 1943 se iniciava com essa letra.


✞Governo norte americano confisca o terreno✞

Um dia após a primeira entrevista à Coast to Coast AM, Mel Waters estava caminhando em sua propriedade próximo ao buraco, quando viu um homem trajando terno e, a certa distância, vários usando macacão de proteção biológica. O homem de terno se apresentou como um oficial do governo norte americano e relatou a ele que havia acabado de ocorrer um acidente aéreo naquela área. Mel não engoliu esse papo e questionou o fato de não haver fumaça ou destroços em nenhum local. Uma discussão entre eles teria começado, e segundo Mel o oficial chegou até mesmo incrimina-lo por motivos não reais (tráfico de drogas). Mas no final, Mel aceitou passar o controle daquelas terras em troca de uma indenização de aproximadamente US$ 250.000,00. Com o dinheiro da indenização ele decidiu se mudar para a Austrália, onde ele passou a trabalhar como protetor de vombates (pequenos marsupiais australianos).


✞Em busca do Buraco de Mel✞

Red Elk
A localização exata do buraco nunca foi determinada, embora algumas testemunhas afirmem tê-lo visto. Mel Waters em seu relato inicial disse apenas que ele ficava no meio de cadeias montanhosas chamadas Manastash Ridge, a cerca de 15 km do município de Ellensburg.

Um curandeiro local mestiço, chamado Gerald R. Osborne (também conhecido por Red Elk, seu nome como nativo norte americano), em entrevista para o próprio Coast to Coast AM em 2008 e para estação de TV KOMO de Seattle em 2012 ratificou que aquele local realmente exista. Ele contou que seu pai (um nativo da região) havia lhe mostrado o poço em 1961 e afirmou, sem nenhuma fundamentação, que a profundidade daquele buraco poderia ser de 24 a 45km. Ainda de acordo com Osborne, o governo matinha uma base secreta no local, uma vez que a atividade alienígena era bastante frequente. Raças de alienígenas reptilianos supostamente habitavam aquela região há vários anos. Ele também sempre carregava consigo algumas tralhas que, de acordo com ele, eram oriundas de espaçonaves alienígenas.

Um registro de 2002 Red Elk teria liderado uma expedição com 30 pessoas para localizar o buraco. Entretanto, mesmo liderado por um explorador experimente, o grupo não foi bem sucedido na missão de chegarem até o Buraco Mel.


✞Segunda participação de Mel Waters – Outro buraco?✞

Em 2002 Mel Waters fez uma nova participação no programa de Art Bell. Ele começou seu relato expondo uma possível perseguição em que ele era o alvo. De acordo com ele, quando havia estado nos Estados Unidos em 1999 para ajudar um sobrinho com uma mudança, ele pegou um ônibus na cidade de Tacoma com destino a Olympia. Durante a viagem, houve uma briga no ônibus e a polícia pediu para Mel dar uma declaração sobre o ocorrido. Nesse ponto, houve um vazio nas suas memórias e ele só se lembra de acordar 12 dias depois em um beco na cidade de São Francisco, espancado e faltando-lhe alguns dentes molares.

Mel Waters afirmou também que em setembro de 2001 ele foi convidado para ir até Nevada por um grupo de imigrantes bascos. Desde 1800 na região, os imigrantes criavam ovelhas e cultivavam plantas medicinais na região, e demonstravam grande interesse nas experiências de Mel Waters. Quando Mel Waters analisou algumas plantas cultivadas pelos bascos, ele notou que algumas eram muito parecidas com plantas que cresciam ao redor do buraco da sua antiga propriedade. Foi quando os colonos o levaram até o vilarejo, onde bem no centro também havia um buraco. Eles afirmaram que o buraco também não teria fundo e já estava lá quando os primeiros bascos chegaram à região. Por consideraram aquele buraco como um ponto espiritual, eles estabeleceram residência ali e construíram as casas ao redor dele.

O buraco tinha quase 3 metros de largura e era envolto com uma borda de metal, que se estendia poço abaixo, até onde os olhos podiam enxergar. Mel Waters afirmou que o aro de metal produzia um campo de calor ao seu redor. Uma das propriedades desse buraco era a capacidade de anular qualquer som em seu interior. Mesmo quando algum objeto atingia a borda de metal, o impacto não produzia nenhum som. Assim como observado no Buraco Mel, os animais também temia esse local e evitavam se aproximar dele.

Inspirados nas experiências que Mel Waters já tinha com o primeiro buraco, foram feitas algumas tentativas de descobrir mais propriedades daquele poço. O primeiro experimento foi uma tentativa de determinar a fonte do calor que o poço irradiava. Então um balde contendo gelo foi descido pelo buraco por aproximadamente 150 metros. Enquanto isso, outro balde com gelo era mantido na superfície, para eles poderem ter um padrão comparativo. Eles esperaram até que metade do gelo do balde derretesse para içarem o outro balde de volta. Surpreendentemente o balde que havia descido pelo buraco ainda estava com o gelo inteiro. O mais surpreendente é que as pedras de gelo estavam mornas, mas mesmo assim permaneciam sólidas.

O tempo ia passando e mesmo assim o gelo permanecia íntegro. Instigados por isso, eles decidiram jogar aquelas pedras de gelo em uma fogueira para tentar derrete-los. Mas ao invés de derreter, o gelo entrou em combustão produzindo uma grande chama amarelada. De acordo com Mel Waters, ele tinha a informação que aquele gelo permaneceu queimando por meses e acreditava que ele pudesse estar em combustão até naquele momento da entrevista. Os colonos chegaram até mesmo a usar as pedras de gelo em combustão para alimentar a chama de fogões ou como aquecedor das cabanas durante o inverno.

Os bascos tentaram repetir o experimento para obter mais gelos como aqueles, mas nunca conseguiram obter os mesmos resultados. Foi então que um dos aldeões decidiu descer pelo buraco para descobrir o que de tão misterioso tinha ali. Logo ele foi desestimulado pelos outros colonos que sugeriram a ele utilizar uma das ovelhas para essa finalidade. A ovelha se debateu muito e fez de tudo para evitar que fosse levada até próxima ao buraco. Mas com a força de vários bascos, ela acabou sendo colocada em uma caixa e essa foi abaixada por 450 metros buraco abaixo. Lá a caixa foi deixada por 30 minutos até ser suspendida à superfície novamente. Os bascos perceberam que a caixa permaneceu íntegra, entretanto o animal havia morrido.

Um dos aldeões, que era açougueiro, decidiu abrir o animal para fazer uma “necropsia”. A ovelha parecia ter sido cozida por dentro e, no seu interior, também havia uma grande quantidade de uma substância que tinha aspecto de gel. Outro achado que chamou a atenção foi a presença de um enorme tumor no animal. Após dissecar o tumor, foi revelado que em seu interior havia uma criatura de 18 centímetros. Ela tinha olhos humanos, nadadeiras e um cordão umbilical que a ligava ao tumor. Essa criatura era descrita como algo parecido com um feto de foca. Após “nascer”, a criatura partiu o cordão umbilical e começou a rastejar sobre a mesa que estava disposta. Ela olhava para Mel sem parar, como se sentisse algum tipo de conexão com ele. Então ele a pegou em mãos e a colocou sob o solo. Depois de soltá-la, ele reparou que sua mão ficou suja com uma gosma que cheirava a ozônio. Mesmo no chão, a criatura fintava todos os presentes com seus olhos, de maneira bastante perturbadora. Ela continuou se arrastando pelo chão seguindo sempre o mesmo sentido: a direção do buraco. Mel decidiu ajudar a criatura e a colocou próxima a borda do poço. Então a criatura teria feito uma espécie de aceno para os presentes e mergulhou de volta ao buraco.


Coincidentemente, Mel Waters relatou que após essa experiência um letal e avançado câncer de esôfago que havia sido diagnosticado nele em agosto daquele ano simplesmente desapareceu. Ele acredita que a única explicação para a cura tivesse alguma ligação com aquela criatura.

Antes de Mel Waters deixar o vilarejo, um ancião aproximou dele e disse não estar surpreso com nada aquilo que havia acontecido, já que ele sabia que aquele buraco era algo de natureza mágica. O velho ainda o presenteou com um objeto que havia encontrado próximo ao buraco: um centavo de Roosevelt datado de 1943.


✞Terceira participação de Mel Waters – novidades sobre o buraco, gelo ardente e a criatura✞

Em dezembro de 2002 Mel Waters fez a última participação no Coast to Coast AM. Ele informou que desde que ele tinha feito o relato sobre o segundo buraco, helicópteros começaram a sobrevoar a região colonizada pelos bascos. Mel também disse que tinha recebido a informação que a borda metálica do poço começou a se tornar invisível quando se tomava certa distância dela. Coincidentemente a moeda de 1943 também desparecia da vista quando há certa distancia, além dela também não aparecer em scanners e fotografias.

Sobre o gelo ardente, o sujeito que estava utilizando-o em seu fogão contou que o gelo estava sugando toda a umidade do ambiente, fazendo com que ele ficasse sempre com sede e com a pele ressecada. Certo dia quando o homem voltava para sua cabana, ele se deparou com ela toda desintegrada em uma pilha de pó de madeira seca.

Ele também informou que, de acordo com os bascos, a criatura que naceu do tumor da ovelha havia subido pelo poço e ido à vila várias vezes. De acordo com Mel Waters, aquele ser poderia ser um “rock flyer”, uma criatura lendária que vive debaixo da terra. Os aldeões ainda teriam encontrado uma maneira de se comunicar com ela. A criatura teria então os advertido sobre os riscos de utilizar o gelo ardente de maneira “indisciplinada e gananciosa”. Isso poderia destruir até mesmo a Terra! Em outra comunicação, ela também teria dito que seres inteligentes de outros mundos previram que no futuro os humanos se autodestruiriam em uma grande guerra nuclear.


✞Apenas uma estória inventada?✞

Incialmente cabe ressaltar que o programa Coast to Coast AM sempre buscou abordar temáticas relacionadas ao sobrenatural e oculto, o que fez com que o programa fosse algumas vezes alvo de enganadores. Art Bell permitia que qualquer um ligasse e contasse no ar suas experiências e relatos. Portanto essa falta de triagem comprometia a credibilidade do programa.

Em certo ponto das entrevistas de 2002, Mel Waters é acusado de fantasiar muito as estórias que envolvem o buraco. Com o perdão do trocadilho, seus relatos passaram a ficar cheio de “furos”. O relato da perseguição e a tentativa de emplacar o buraco dos bascos, como todos casos absurdos que o circundavam, não foi tão bem aceito e comprometeu até mesmo a credibilidade da sua primeira participação.

Para investigar a veracidade do relato e buscar mais pistas, repórteres fizeram pesquisas sobre o nome de Mel Waters. Entretanto, os registros públicos do Condado de Kittitas local não mencionavam nenhum Mel Wates que viveu, votou ou pagou impostos ali. Da mesma forma, nenhum registro de propriedade privada e transferência de propriedades constando esse nome foram encontrados. Também tentaram, sem sucesso, localizar a esposa de Waters. Durante a participação no rádio, ele teria dito que ela trabalhava na Universidade Central de Washington. Mas nenhum funcionário da Universidade se enquadrava nesse perfil.

Os entusiastas do Buraco Mel acreditam que Mel Waters pode ter inventando esse nome para se manter no anonimato, o que explicaria sua ausência nos registros oficiais do Condado de Kittitas. Alguns também afirmam que após o governo tomar as terras de Mel Waters, os registros públicos, bem como o TerraServer (serviço de satélite semelhante ao que temos hoje com o Google Earth) foram manipulados de forma a eliminar qualquer evidência de que Mel, sua propriedade e seu buraco existiram.

E o que os especialistas diriam sobre o Buraco Mel? Jack Powell, geólogo do Departamento de Recursos Naturais do estado, além de ser um renomado técnico, também é um grande conhecedor da região. Para ele, o buraco descrito por Mel Waters dizia respeito a uma mina abandonada a noroeste de Ellensburg que tinha cerca de 30 metros de profundidade. Ele rechaçava totalmente a ideia da existência de um poço sem fundo naquelas terras. Powell sugeriu então que essa mina abandonada serviu como inspiração para o estabelecimento da lenda do Buraco Mel. De acordo com Powell, “suponho que este Mel Waters usou o buraco real como uma espécie de inspiração para compor o seu misterioso em Manastash Ridge”.

Tecnicamente, Jack Powell também afirmou que é geologicamente impossível existir um buraco com aquelas características. O poço mais profundo que ele tinha conhecimento era um de 12 km construído na Rússia em 1989. Uma profundidade tão extensa, como a proposta por Mel, atingiria camadas geológicas de enormes temperaturas e pressão, o que causaria um colapso capaz de comprometer toda a estrutura.

Cabe ressaltar que o estado de Washington tem uma crosta terrestre que varia de 65.000 a 130.000 pés. Uma profundidade de 80.000 pés, como supostamente foi atingida pelas linhas Mel Waters, alcançaria camadas de rocha sólida e magma não viscoso. Estima-se que a temperatura nesse ponto seja de aproximadamente 715 °C, ou seja, temperatura muito superior a que qualquer linha poderia resistir. Será que o buraco teria alguma outra propriedade mágica que faria as linhas não entrarem em combustão? Se não fosse o bastante, alguns físicos calcularam que cada metro de linhas de pesca de 20 libras tem uma massa estimada de 0,162 a 0,254 gramas. Se somar a massa total de linha utilizada, acrescentando o efeito da gravidade sobre elas, o vetor de força resultante seria suficientemente alto para rompê-la.

Alguns céticos também sugeriram que o peso amarrado à ponta da linha poderia já ter tocado algum fundo e Mel, sem perceber isso, continuava a solta-la. O peso da própria linha estendida em certa profundidade do buraco seria capaz de deixa-la tensionada mesmo se o peso amarrado na ponta repousasse sob alguma superfície.


✞Art Bell tenta emplacar um terceiro buraco!✞

Em fevereiro de 2005 Art Bell recebeu um convidado chamado Kimberly, que relatou a existência de um buraco ao norte de Manitoba (estado canadense) parecido com os descritos anteriormente por Mel Waters. De acordo com ele, o terreno estava em posse de sua família desde 1700. Alguns nativos teriam dito que aquele era um local onde os espíritos habitavam e frequentemente usavam o buraco para irem até a superfície.

Kimberly disse que, durante sua adolescência, seu pai sempre o levava para acampar naquela área. Certa vez, juntamente com o irmão ele se aproximou do buraco. Era um poço circular, com aproximadamente 9 metros de diâmetro. Em seu redor havia um muro de contenção formado por pedras parecidas com mármore, mas tinham a cor de creme e eram tão finamente polidas que não podia ser arranhado ou danificado quando atingidas por algo. Essas pedras não se estendiam acima do nível do solo, então Kimberly e seu irmão tiveram que cavar alguns centímetros na borda do buraco para medir a espessura daquela parede (que de acordo com ele era de 1 metro).

Ele disse ainda que jogou várias coisas no buraco, incluindo uma lanterna ligada, mas nunca conseguiu determinar o quão profundo aquele poço era. O ponto bastante curioso também é que ao redor do poço, em uma área de mais ou menos 45 metros, todo som vindo do ambiente externo era abafado. Nem mesmo os insetos eram ouvidos quando se estava dentro dessa área. Por causa disso, ela foi chamada por ele de “zona silenciosa”.

Próximo a esse poço também foi relatado que animais mutilados eram encontrados, assim como a ocorrência de atividades ufológicas. Ao final Kimberly afirmou que a propriedade ainda é da sua família e o buraco é totalmente acessível com uma caminhada de 1 hora. Entretanto, o público não demonstrou o mesmo interesse que outrora Mel Waters despertou.


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✞Sociedade Paranormal de Seattle – Um grupo de estudo sobre o Buraco Mel✞

O geólogo Powell relatou também que em 2001 um grupo de estudos sobre o Buraco Mel entrou em contato a procura de informações geológicas sobre a região. Ele agendou um encontro com o grupo e deu uma palestra sobre o padrão de geologia de todo Condado de Kittitas e alguns detalhes mais específicos sobre a cadeia montanhosa de Manastash Ridge. Além disso, ele também explanou sobre a impossibilidade de existir um poço com aquelas características, mostrando argumentos técnicos bem fundamentados. Posteriormente, ele guiou o grupo até o antigo poço da mina que ele acreditava ser a inspiração para o mítico Buraco Mel.

Apesar de o grupo ser bastante cordial com Powell, eles não se deram por satisfeitos com aquela explicação e fundaram a Sociedade Paranormal de Seattle para aprofundar suas buscas. Até o presente momento, nenhuma evidência sobre a existência do buraco ou do próprio Mel Waters vieram à tona. Todas as buscas realizadas até hoje não foram bem sucedidas.
Para o blog Cabana do Terror, até que se prove o contrário, a lenda do poço sem fundo foi apenas uma estória inventada para preencher o horário do Coast to Coast AM, que acabou ganhando bastante notoriedade entre os ouvintes.


✞Exposição de arte✞

Aspects of Mel's Hole: Artists Respond to a Paranormal Land Event Occurring in RadiospaceUma exposição de arte intitulada "Aspects of Mel's Hole: Artists Respond to a Paranormal Land Event Occurring in Radiospace" (Aspectos do Buraco Mel: artistas respondem a um evento de terra paranormal ocorrendo no espaço-rádio) foi organizada por Doug Harvey, crítico de arte do jornal LA Weekly em 2008 para comemorar os 10 anos da divulgação da lenda. Harvey abordou uma série de artistas para participar da exposição e a resposta foi esmagadora: 41 artistas representaram o Buraco Mel em suas obras.

Posteriormente, um catálogo com 144 páginas foi publicado pelo Grand Central Art Center contendo a contribuição de todos esses artistas. O catálogo está à venda pelo site “The Good Luck Gallery” (referenciado ao final do texto) por US$ 40,00. Abaixo podem ser conferidas algumas dessas obras feitas em homenagem ao Buraco Mel.

America's Most Mysterious Places | Mysterious places, Strange ...Marnie Weber - Mel's Hole


✞Ouça o relato de Mel Waters✞

Graças ao site “The Saga of Mel’s Hole” (referenciado ao final do texto), as participações de Mel Waters no Coast to Coast AM podem ser ouvidas na íntegra. Cliquem lá e confiram!


✞Referências✞
Daily Record à https://bit.ly/2WBQojz
Grand Central Art Center à https://bityli.com/K69KJ
Hideous Monster à https://bityli.com/iBKMj 
History Daily à https://bityli.com/bPXd4
Rational Wiki à https://bityli.com/WQp5r
The Good Luck Galleryà https://bityli.com/ACCoP
The Saga of Mel’s Hole à https://bit.ly/2TijKBq

terça-feira, 12 de maio de 2020

KATRIN MALEN – O fantasma do corredor!




Gustavo Valente

✞A menina fantasma no corredor✞

Se você já acessava a internet por volta do início dos anos 2000 e tinha o interesse em sites de terror, com certeza que já se deparou com a famosa foto de uma suposta garota fantasma que trajava um vestido preto e segurava uma boneca enquanto flutuava em um corredor. O saudoso e extinto blog “Creedus” foi um dos principais a dar repercussão a essa foto. Talvez essa possa ser considerada como um dos primeiros contos/relatos de terror que tenha viralizado na internet. Apesar de ser uma imagem famosa, acredito que pouquíssimas pessoas saibam da verdadeira história dessa menina.


Fantasma da Menina Diabólica no Corredor de Hospital na Indonésia ...



O suposto nome dessa garota fantasma é Katrin Malen. Sua aparição ocorreu supostamente na Indonésia. Quando sua foto ganhou a internet, rapidamente ela recebeu a alcunha de “A menina do corredor” e várias advertências a acompanham, como não salva-la no computador e não fixar os olhos na menina por mais de 30 segundos. Além disso, várias correntes do tipo “passe essa foto para x pessoas ou senão ela vai te amaldiçoar!” contribuíram para que a foto ganhasse mais notoriedade.


✞A origem da foto✞

Toda essa história se iniciou na Indonésia, quando um fotógrafo alemão chamado Kur Hants estava fazendo a cobertura da reinauguração do hospital infantil de Santem, em 1948, que havia sido alvo de um incêndio no ano anterior. Durante a visita, ele tirou uma série de fotos do local para posteriormente selecionar uma que melhor ilustraria a manchete. Mas ao chegar a seu estúdio, ele teve uma macabra surpresa revelando os negativos. Na foto do corredor de uma das alas, que estava supostamente vazio, surgiu a imagem aterrorizante dessa garota. 

Depois de analisar a foto por muito tempo, o fotógrafo decidiu enviá-la assim mesmo ao jornal. Entretanto, na gráfica as impressões da foto saíam todas borradas, impossibilitando sua veiculação no jornal. Então ele decidiu repassar a fotografia a outros colegas de profissão, contando toda a estória por trás dela e pedindo para que eles pudessem buscar uma explicação racional para aquilo. Para sua surpresa, ele descobriu que a imagem da foto podia variar de acordo com a pessoa. Alguns de seus colegas relataram que não viam nada demais, apenas um corredor vazio. Outras diziam conseguir ver outras entidades, além dessa. Também houve aqueles que juraram que a imagem se mexia, como se chamassem por eles ou fizesse um sinal de adeus.  

Esse foi o estopim para que o fotógrafo e seus colegas se interessassem e pesquisasse mais sobre quem poderia ser aquela garota e como ela apareceu na foto. Foi aí que eles chegaram ao nome de uma ex-paciente do hospital, chamada Katrin Malen.


✞A história de Katrin Malen✞

Katrin Malen era uma garotinha de 11 anos que vivia com seus pais (Ceron Malen e Enila Malen) em uma propriedade rural na Indonésia, no ano de 1946. A situação financeira da família não era muito boa. Devido à longa seca que pairava sobre o local, as plantas cultivadas pela família começaram a definhar e a sobrevivência dos animais que eles criavam começou a ficar comprometida. Diante disso, Ceron decide ir até a cidade vender seus animais antes que a estiagem os vitimassem. Além disso, ele também tentaria vender algumas armas e pólvora que estavam paradas em sua casa.  Ao saber que seu pai iria até a cidade, Katrin pediu que ele trouxesse uma boneca para ela. Mesmo sem muitas condições, o pai se sensibilizou com o pedido da filha (já que seu aniversário se aproximava) e prometeu retornar com a boneca.

Medo Sensitivo: Katrin Malen
Suposta fotografia de Katrin Malen

Na cidade, Ceron conseguiu vender alguns animais, mas logo ele teve que retornar para casa. O motivo era uma grande tempestade estava se formando! Apesar de isso atrapalhar suas vendas, a chuva seria muito bem vinda diante daquele cenário de seca. Ansiosa por causa da boneca, Katrin aguardava pelo retorno do pai na porta de casa. Ao visualiza-lo no horizonte, ela começou a correr em sua direção sem saber da tragédia que se aproximava. Enquanto a menina partia na direção do pai, um estrondoso trovão caiu na redondeza, assustando os cavalos que puxavam a carroça. Ceron não conseguia conter a agitação dos animais, e isso fez com que a carroça capotasse, espalhando muita pólvora. Com a carroça continuando a chocar ao solo, faíscas foram formadas e isso resultou em uma enorme explosão que ceifou a vida de Ceron imediatamente. Com o impacto, muitos dos objetos que estavam na carroça foram arremessados pelo ar. Coincidentemente, a boneca caiu intacta na frente de Katrin, que a abraçou enquanto olhava, paralisada, o corpo de seu pai ser consumido pelas chamas.

A partir daí, Katrin se tornou uma garota triste e reclusa. Vestia-se sempre de preto e não conseguia largar a boneca. Buscando novos ares, Enila resolveu vender aquelas terras e mudar para cidade de Santem com a filha e seu cão. Na nova casa, pela proximidade entre os quartos, Enila conseguia escutar que toda noite Katrin conversava com alguém. Preocupada, ela decidiu espiar sua filha e, com isso percebeu que as palavras da garota eram direcionadas à boneca. Cerca de um ano se passou, com Katrin ficando cada vez mais introvertida e fechada.

Certa noite, Enila acordou ouvindo o choro de Katrin, que também chamava desesperadamente por seu pai. Ao correr para ajuda-la, imaginando se tratar de um pesadelo, ela encontrou a boneca suja de sangue no quarto. Mesmo questionando sua filha sobre o que havia acontecido, Enila não obteve nenhuma resposta dado o grau de nervosismo da filha. Então a mãe decidiu tirar a boneca do quarto e limpá-la, mas ao abrir a porta dos fundos ela se deparou com seu cão morto, com o peito perfurado e sem coração. Desesperada, ela logo pensou que alguma pessoa má intencionada teria invadido a casa, mas nenhuma evidência nesse sentido foi observada.

Manos Guardanapo, Unidos Até na Lambança: A História de Katrin ...
Suposta fotografia de Katrin Malen
Depois desse incidente, ambas nunca mais teriam sossego naquela casa. Armários abrindo e fechando sozinhos, sons estranhos e desaparecimento de objetos começaram a acontecer frequentemente.  Desesperada, Enila pediu ajuda à sua irmã para que ela, juntamente com sua filha, Malina, passasse alguns dias na casa. A princípio, a chegada de sua irmã e sobrinha causou um pouco de tranquilidade àquele ambiente. Mas em um domingo pela madrugada, Enila acordou sentindo um cheiro de fumaça e ao se levantar, deparou-se com a boneca em chamas no meio da cozinha. Com a ajuda de vizinhos, as chamas foram contidas. Enila decidiu então jogá-la fora, mas no dia seguinte misteriosamente a boneca apareceu novamente no quarto de Katrin.

Malina sempre quis brincar com a boneca, mas Katrin jamais permitiu. Aproveitando-se de um momento de distração, Malina conseguiu se apoderar da boneca e brincar escondida. Ao se deparar com isso, Katrin tomou a boneca e disse que ela se arrependeria por ter feito aquilo. Na madrugada do mesmo dia, Enila e sua irmã acordaram em meio aos gritos vindos do quarto das meninas. Ao correrem para lá, se depararam com Malina morta, com uma perfuração no peito. Katrin estava de pé, segurando a boneca, de frente para o corpo da prima. Tanto a garota, como a boneca, estavam encharcadas de sangue. Transtornada com aquela cena, a reação de Enila foi agredir sua filha e a acorrentar na cama, onde ela permaneceu até ser internada no hospital de Santem.

No hospital, Katrin recusava a usar a roupa dos internos, e apenas aceitava vestir seus trajes pretos. A garota também demonstrava certa “abstinência” pela ausência da boneca. Seu estado foi piorando gradativamente com o passar do tempo. Diante disso, os médicos sugeriram que Enila levasse a boneca na próxima visita. Durante essa visita, enfermeiras estranharam o silêncio vindo do quarto e a demora de Enila em deixar o local. Ao abrirem a porta, elas se depararam com Enila morta! Katrin havia arrancado o coração com suas próprias unhas e o comia tranquilamente. Diante disso, ela foi novamente amarrada e fortemente sedada.

Tal incidente rapidamente se espalhou e a boneca se popularizou como um objeto amaldiçoado. A direção do hospital decidiu então incinerar a boneca, mas no exato momento que ela foi atirada às chamas, o hospital também começou a se incendiar, fato que levou a morte de várias pessoas, incluindo Katrin.

Após uma grande reforma e revitalização, o hospital infantil de Santem foi reaberto um ano após o incêndio, em 1948. Nesse ponto que entra a cobertura jornalística feita por Kur, quando a famosa foto teve sua origem.


A verdadeira história de Katrin Malen – A menina do corredor ...



✞ Katrin Malen começa a assombrar os envolvidos✞

Em 1949, alguns amigos de Kur Hants encontraram o corpo dilacerado do fotógrafo em seu apartamento. Após a necropsia, foram constatados alguns achados bastantes intrigantes. Os olhos saltados refletiam que ele havia passado por algo aterrorizante. Em seu peito havia uma grande perfuração e lhe faltava o coração: o mesmo padrão das mortes anteriores relacionadas à Katrin. Sua mão direita estava repleta de sangue e nas suas unhas havia pedaços de tecidos humanos. Ou melhor, do próprio tecido. A explicação mais lógica que os legistas conseguiram dar é que o próprio fotógrafo havia causado a lesão. O caso foi considerado um suicídio e encerrado pela polícia.

Obviamente um ser humano não seria capaz de arrancar o próprio coração com as unhas e escondê-lo enquanto permanece consciente. Embora a polícia não conseguisse progredir mais nesse caso, os amigos de Kur não se contentaram com a hipótese de suicídio.

Após a morte de Kur, seu melhor amigo, Telman, ficou com algum de seus pertences, incluindo a câmera fotográfica e alguns negativos. Pouco tempo depois ele se mudou para a cidade de Estina. Lá ele permaneceu até 1975 quando morreu por parada cardíaca. Após sua morte, muitos de seus bens seriam leiloados, incluindo sua coleção de pinturas de autoria própria e os pertences do amigo fotógrafo. Isso despertou o interesse de Faila, uma jornalista evolvida com a cobertura de incidentes associados com Katrin. Sem dificuldade, ela conseguiu arrematar um pacote de seus pertences, que incluiam a câmera e negativos que anteriormente pertenciam a Kur, alguns dos quadros pintados por Telman e uma boneca muito antiga. Após revelar as fotos, Faila começou a analisa-las criteriosamente no escritório de sua casa. Na parede bem a frente de sua mesa estava um dos quadros de Telman, que retratava uma boneca parecida com aquela obtida no leilão.

A maioria das fotos estava desfocada e analisa-las com o avançar da noite estava deixando Faila com dor de cabeça e cansada. Mas para alívio da jornalista, as últimas fotos estavam nítidas e retratavam a cobertura que Kur tinha feito na reinauguração do Hospital de Santem. Ao passar as fotos, Faila teve um grande susto ao deparar com uma foto de Kur de frente a um espelho. Com uma mão ele segura a câmera e a outra estava afundada em seu peito, de onde muito sangue escorria. Imediatamente ela soltou aquelas fotos e, apavorada, deixou o escritório. Ela não conseguia acreditar que Kur fosse capaz de tirar a própria vida de uma forma tão brutal.

Após retomar o fôlego, Faila decidiu voltar ao escritório para analisar as fotos. Mesmo revirando o escritório e analisando foto por foto, ela não conseguia encontrar a foto do suicídio de Kur. Teria sido aquilo apenas algo da sua imaginação? Realmente ela estava muito cansada e poderia estar imaginando coisas. Mesmo intrigada, resolveu dormir e continuar a investigação quando estivesse mais relaxada. No meio da madrugada Faila acordou sentindo um cheiro de fumaça e escutando um forte estrondo vindo do escritório. Ao adentrar o cômodo, ela se deparou com o quadro da boneca caído ao chão. Tal acontecimento a deixou temerosa, e ao pegar o quadro do chão e observa-lo, ela ficou paralisada. Sentiu como se algo a chamasse e aos poucos foi se sentindo sufocada, até cair ao chão. Tentava, em vão, desesperadamente gritar. Mas nada ela podia fazer além de agonizar enquanto via vultos vagando pela casa. Gradativamente sua visão foi escurecendo até ficar em uma escuridão total.

Uma semana depois seu corpo foi encontrado em avançado estado de putrefação e a causa mortis foi determinada como um infarto. Embora Faila nunca tivesse um histórico de cardiopatia, na necrópsia seu coração estava muito escuro, como se tivesse carbonizado. 

Os anos se passaram e, em 1995, um jovem estudante norte-americano de artes ocultas chamado Henry decidiu ir até a Indonésia pesquisar evidências da lenda de Katrin Malen, bem como obter as antigas fotos de Kur. Os pertences que antes estavam em posse de Faila, agora eram expostos em um museu público, onde se aglomeravam todos os itens relacionados à lenda. Com um alto investimento, Henry conseguiu se apoderar de todos eles, o que incluía as fotos, relatos escritos por Faila, os quadros pintados por Telman e a boneca, que supostamente era a que pertencia à Katrin.

As fotos não apresentavam nada demais. Todas estavam borradas e já muito desfocadas pelo passar dos anos. Em registros de Faila estavam descritos, dentre outras coisas, detalhes da suposta foto do suicídio de Kur.

Quanto mais se aprofundava nas pesquisas, mais fascinado com aquela estória Henry ficava. O que lhe despertava mais interesse e intriga era descobrir o que levou Faila a morrer daquela forma. Um ano se passou sem que Henry interrompesse suas pesquisas. Em certo dia ele descobriu, em um livro, como fazer um ritual para invocar espíritos perturbados. Aquela poderia ser a chave para ele resolver o mistério: colher informações direto da fonte!

Então no dia 7 de janeiro de 1996 ele, seguindo o ritual, tentou comunicar-se com o espírito de Katrin Malen. O ritual envolvia o uso de velas, objetos religiosos, ervas específicas, caneta e o próprio sangue do conjurador. Horas se passaram sem que nenhum tipo de comunicação fosse bem sucedido. Henry segurava a caneta sobre um papel conforme o ritual estabelecia, mas nada era escrito. Em certo momento, sua mão começou a mover-se involuntariamente, e a caneta redigia no papel a seguinte frase: “Regresso por aquele que faz o que um dia fizemos”. Nenhuma outra sentença foi escrita e, intrigado, Henry decidiu encerrar o ritual e tentar interpretar seu único achado.

Os dias se passaram e acontecimentos estranhos, como barulhos surgindo no meio da madrugada, começaram a se manifestar na casa de Henry. Ele foi se tornando uma pessoa cada vez mais estranha e fechada. Mesmo os amigos que o procuravam preocupados, muitos deles que contribuíram para sua expedição à Indonésia, eram tratados com agressividade e indiferença. 

Certa vez, Henry tentava trabalhar em seu computador e sentia vultos passando com muita frequência. Logo depois seu cachorro começou a latir initerruptamente, impossibilitando que ele pudesse se concentrar em sua atividade. Bastante incomodado com isso, Henry se enfureceu e foi até seu cão para repreendê-lo. O animal ficou ainda mais agitado quando ele se aproximou, rosnando com um misto de raiva e medo. Foi então que Henry notou uma barra de ferro em seu lado direito e não hesitou em acerta-lo na cabeça, matando-o. Ainda não satisfeito, Henry utilizou a barra para cavar um buraco no peito do animal, transformando seu quintal em um cenário de carnificina. Após isso, ele voltou para seu escritório normalmente, tocando o teclado e mouse com as mãos encharcadas de sangue.

Minutos depois um estranho desejo tomou conta do seu ser. Guiado por esse instinto, ele vasculhou as gavetas em busca da foto do corredor do hospital de Santem. Após encontra-la, Henry a digitalizou e começou a fazer montagens, sobrepondo várias imagens a essa. Sua concentração nessa atividade era tamanha que nem percebeu que o espectro de Katrin Malen se aproximava dele pelas costas. Com muito esforço, Henry conseguiu recriar uma foto na qual Katrin aparecia no corredor segurando uma boneca. E assim que a foto foi finalizada, Katrin sussurrou a ele que a imagem deveria ser propagada, para que mais pessoas tivessem conhecimento da sua existência. Foi aí que Henry publicou a fotomontagem na internet e ela viralizou. Quando o último clique foi dado, Katrin colocou suas mãos gélidas e decompostas sobre os ombros de Henry, fazendo-o agonizar até a morte.

Dias depois vizinhos comunicaram à polícia que um forte cheiro vinha da casa de Henry. Ao chegarem lá, as autoridades encontraram o cadáver do estudante. A boneca foi recolhida de sua casa e analisada. Dentro dela havia vestígios de algum tecido humano apodrecido, que de acordo com as análises, sua composição era sugestiva de um coração humano. Exames posteriores indicaram que os tecidos pertenciam a Kur, mas até hoje fica o mistério de como aquilo foi parar dentro da boneca.



✞Explicações racionais para a foto✞

Umas das teorias mais aceitas pelos parapsicólogos sobre aparições “sobrenaturais” em fotos é a escotografia, também chamada de fotografia do pensamento. Padre Quevedo explica  que quando o fotógrafo tem algo muito intenso e constante em sua mente (como pensamentos em entes perdidos), no momento de tirar a fotografia uma energia chamada telergia é emitida de sua mente e dá origem a formação de imagens. Em outras palavras, em alguns casos os pensamentos podem, involuntária e incontroladamente, ser exteriorizado telergicamente possibilitando sua captura em fotografias.



Embora a escotografia seja um fenômeno comprovadamente verdadeiro, por ser de rara ocorrência e facilmente mimetizado por fraudes, torna-se muito difícil sua abordagem de forma científica. Alexandre Aksakof e McCarthy, pesquisadores da Society for Psychical Research pesquisaram o tema por volta dos séculos XIX e XX. Entretanto, fraudadores de fotos como Buguet e Leymarie na França; Reimers na Alemanha; Damiani na Itália; Hope, Mrs. Deane, Hudson, Parkes, Willie, Boursnell e outros na Inglaterra, comprometiam que o estudo pudesse ganhar notoriedade e credibilidade. Abaixo poderão ser conferidas algumas fotos em que comprovadamente ocorreram o fenômeno da escotografia.


PARAPSICOLOGIA DESCOBRE CRIME O Sr.... - Instituto Padre Quevedo ...

Assombrado: Como Tirar Fotos de Fantasmas

Assombrado: Como Tirar Fotos de Fantasmas



✞A verdade✞

Já foi comprovado que a foto foi submetida à manipulação digital, e de forma bastante desleixada. Na barra do vestido da garota é possível ver uma linha verde bem contrastante, o que praticamente sugere que a imagem foi retirada de outra fonte e colocada em sobreposição na imagem do corredor (seguindo os mesmos princípios dos “chroma keys”, mas de forma pouco caprichada). Cortes grosseiros em alguns pontos do vestido e do cabelo reforçam ainda mais essa ideia. Quem fez a montagem provavelmente não teve muita paciência ou habilidade para contornar estruturas mais detalhadas como essas. Segundo especialistas, os olhos da garota têm fortes indícios de terem sido manipulados por “Dodge Tool” (técnica não-destrutiva de Photoshop para aplicar luz e sombra em fotos).

Entretanto, alguns defensores acreditam que esse traço verde tenha ligação com algum efeito dimensional quando se usa um óculo 3D para visualizar a imagem. Porém, muitas pessoas que usaram os óculos 3D para avaliar a imagem relataram não ter observado nenhum efeito.

Diante dessas evidências, como explicar o fato de algumas pessoas se depararem com Katrin após olhar a foto? A razão é muito simples. Tenho certeza que todo mundo já se deparou com alguma publicação de foto na qual era acompanhada por uma instrução para olhar fixamente em um ponto dela por algum tempo e em seguida olhar para uma parede branca. Magicamente a imagem era “projetada” na parede! No caso de Katrin Malen se tem o mesmo efeito. Seu padrão preto e branco permite que esse fenômeno de ilusão ótica aconteça. Caso esteja com dúvida (e coragem) faça o teste agora mesmo! Provavelmente, por causa disso havia a advertência de não olhar para essa foto por mais de 30 segundos.

Além da manipulação digital, muitos céticos afirmam que a menina da foto nada mais é que um manequim fantasiado.

O veredito final é que, apesar de macabras, a foto e a estória de Katrin Malen é apenas mais uma creepypasta inventada e publicada na internet. A manipulação digital da imagem é um fato já comprovado, e isso compromete totalmente a credibilidade de tudo que a rodeia. Mesmo que o personagem Henry tenha sido incluído na lenda, como um estudante que fez a fotomontagem ao ser orquestrado por Katrin, muitos pontos da estória abrem margem para contestação. Além disso, a falta de informações concretas praticamente confirma que toda a história da garota foi uma invenção. Os inúmeros assassinatos acontecidos e um incêndio de proporções colossais em um hospital de uma das maiores cidades da Indonésia não passariam despercebidos pelos veículos de imprensa da época. Basta lembrar que grandes incêndios da humanidade (como por exemplo, o grande incêndio de Chicago, de Tóquio, do Edifício Joelma), mesmo que ocorrendo há bastante tempo, foram amplamente documentados em vídeos, fotos e matérias jornalísticas.


✞Referências✞

Portugal Paranormal à https://bit.ly/2mj7xi9
Sense Terror à https://bit.ly/364unfS