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✞Chapada
do Zagaia✞
Serra da Canastra - MG
A região mineira da Serra da
Canastra parece um paraíso na terra! Encantadoras cachoeiras, deliciosos
queijos e belíssimas montanhas são apenas algumas das várias atrações que podem
ser encontradas no local. Mas é justamente em uma dessas montanhas, mais
especificamente na Chapada do Zagaia, que surgiu uma das mais misteriosas
lendas que circundam o local.
A Chapada do Zagaia é um local
situado dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra, mais especificamente entre
os municípios de São Roque de Minas e Sacramento. Muito antes de ele receber
esse nome, por volta do século XVIII, vários tropeiros, garimpeiros e
capangueiros utilizavam essa região como rota de suas jornadas. Ela era
considerada um ponto comercial estratégico devido proximidade com o Desemboque,
a comunidade mais próspera da região na época (atualmente Desemboque é
considerado um distrito do município de Sacramento). Além disso, esse era um trajeto
usado por muitos para transportar ouro escondido da coroa portuguesa, de forma
a evitar tributações como o quinto.
✞Uma
fazenda bem acolhedora! Mas...✞
Isolada no meio da chapada, havia
uma propriedade rural na qual muito desses transeuntes buscavam abrigo para
descansar e/ou pernoitar para depois continuarem sua jornada. Os proprietários
sempre recebiam todos com muita cordialidade, dando-lhes alimento e abrigo. Por
serem tão bem tratados, os visitantes mal imaginavam qual era a real intenção
daqueles anfitriões.
Os donos da fazenda sabiam que
aquela rota era de grande interesse comercial, logo os viajantes sempre levavam
consigo bens muito valiosos. Eles traziam consigo mercadorias para serem
comercializadas em outros povoados ou portavam o ouro resultante da venda
desses produtos. Com essas informações em mente, os fazendeiros elaboraram todo
um plano para atrair esses viajantes, ganhar sua confiança e depois se livrarem
deles para ficarem com seus pertences.
A estratégia era bastante
simples, mas infalível: os fazendeiros amarravam zangaias (armadilhas feitas
com uma roda de carro de boi repleta de lanças) acima de um teto falso (como se
fosse um forro de palha), bem na direção das camas. A outra ponta da corda
ficava no quarto dos anfitriões. Eles seguravam as zagaias pela corda,
utilizando-se em um sistema de roldanas. Assim que eles ouviam seus hóspedes
deitarem sob os colchões de palha, as cordas eram soltas e as zagaias caíam bem
no centro da cama, ceifando a vida de quem estivesse nela repousando. Depois
disso os fazendeiros pegavam tudo que tinha algum valor e os corpos das vítimas
eram desovados nos precipícios dessa chapada, eliminando qualquer evidência da
barbaridade que ali acontecida. Segundo relatos, várias ossadas foram
encontradas nos penhascos daquela região, dando ao local a fama de mal
assombrado.
De acordo com alguns relatos,
quando os fazendeiros percebiam que a mercadoria que os viajantes traziam não
era do seu interesse, a zagaia não era solta e era permitido que eles fossem
embora no dia seguinte. Quando eles retornassem de viagem e repousassem novamente
na fazenda, estariam repletos de ouro da venda dos produtos. Dessa forma, os
fazendeiros poderiam colocar o maléfico plano em prática e subtrair o ouro dos
viajantes.
Armadilha zagaia
✞Um
viajante põe fim àquela barbárie✞
Essa carnificina foi repetida
diversas vezes e perdurou por vários e vários anos, até que um dos viajantes
conseguiu por fim àquela brutalidade. Um tropeiro e dois filhos montados em
mulas haviam saído de Desemboque com uma carga de três carros puxados por bois.
A jornada tinha como destino o município de São João Del Rei, trajeto que
levaria aproximadamente um mês. Mas vários meses se passaram e eles ainda não
tinham voltado dessa empreitada. O filho mais novo, que havia ficado em casa,
decidiu então fazer o mesmo trajeto a procura de respostas sobre esse
desaparecimento. A única informação concreta que ele conseguiu foi que o grupo
havia sido visto pela última vez próximo ao município de Sacramento, ainda na
região da Serra da Canastra.
Após ele explorar exaustivamente
a região, ele encontrou a fatídica fazenda e decidiu pernoitar nela para
continuar com as buscas no dia seguinte. Ao questionar os proprietários sobre a
tropa liderada por seu pai, eles não souberam (ou melhor, não quiseram) informar
nada a respeito. Antes de ele seguir para seu quarto, uma jovem escrava o serviu
uma refeição. A beleza e bons modos daquela criada encantou o jovem tropeiro,
que a cortejou com presentes como fumo e tecidos. Ele também prometeu a ela que
depois de encontrar seus familiares desaparecidos, ele retornaria ali apenas
para revê-la.
Toda essa demonstração de carinho
tocou o coração da escrava. Ela então começou a chorar e implorou a ele que não
deitasse sobre a cama do seu quarto, mas sim debaixo dela. O jovem teria
estranhado e a questionou sobre o porquê daquele incomum pedido. A escrava não
encontrou outra alternativa a não ser revelar as perversidades que aconteciam
naquela fazenda. Além disso, ela também contou que o pai e irmãos dele haviam
sido vítimas da zagaia.
Saber tudo isso despertou uma
sede de vingança do jovem tropeiro. À noite ele cautelosamente mudou a posição
da cama dentro do quarto e, após deitar nela, os fazendeiros ouviram o som da
palha se mexendo e soltaram a zagaia. Dessa vez, ao invés de ceifar uma vida, a
zagaia chocou-se contra o chão. Na mesma noite, o jovem teria rendido e matado
os fazendeiros e seus comparsas, poupando apenas a escrava que foi embora da
fazenda junto a ele. E assim terminou a série de assassinatos que aconteciam entre
as montanhas da Serra da Canastra. Há também a versão “politicamente correta”
de que ele não teria se vingado dos fazendeiros com as próprias mãos, mas sim
ido até a localidade mais próxima para delatar aquelas barbáries às
autoridades.
De acordo com alguns registros,
alguns membros da fazenda conseguiram escapar do ataque do jovem. Eles teriam fugido
e se estabelecido posteriormente no Engenho de São João das Antas, onde hoje
fica o município de Anápolis-GO. Nesse local eles teriam retomado a nefasta
prática de atrair e assassinar viajantes para tomar os seus bens.
✞Atualmente✞
Por causa dessa lenda, o local
onde a fazenda era situada começou a ser chamado de Chapada da Zagaia. Atualmente,
algumas ruínas da antiga fazenda ainda podem ser encontradas no Parque Nacional
da Serra da Canastra, como pode ser observada nas fotos abaixo.
Como consequência dessa lenda, na
região da Serra da Canastra existe um ditado popular quando se alguém se refere
a algo ou algum acontecimento muito antigo: “Isso é da época do Zagaia!”
Tudo começou com o programa Coast
to Coast AM, um famoso talk-show comandado pelo radialista Art Bell que
abordava tópicos relacionados a teorias da conspiração e questões paranormais. O
Coast to Coast AM era um programa de rádio noturno que contava com uma audiência
semanal de aproximadamente 2,75 milhões de pessoas e era transmitido em mais de
600 estações de rádio nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Na edição de 21
de fevereiro de 1997 Bell recebeu um fax de ouvinte chamado Mel Waters, que relatava
um local misterioso. Bell não teve dúvidas em ligar para esse ouvinte e
coloca-lo no ar para contar essa estória.
Embora não tenha dado detalhes mais
específicos sobre a localização exata, Waters afirmou que em sua antiga pequena
propriedade rural a 15 quilômetros a oeste do município de Ellensburg (no
Condado de Kittitas, Estado de Washington) existia um buraco misterioso, com
cerca de um metro e oitenta de largura e com um muro de pedra de um metro de
altura ao seu redor. Até então, nada de anormal. Era apenas mais um poço.
De acordo com Mel, ele tinha
comprado a propriedade há dois anos. O proprietário anterior havia vivido lá
por aproximadamente 40 anos. Desde a época do antigo proprietário, aproximadamente
20 pessoas da região sempre usavam o buraco para descarte de materiais velhos,
como geladeiras, pneus e até mesmo animais mortos. Mas por algum motivo,
aquele buraco nunca se enchia. Mesmo após entulhos e entulhos serem despejados
nele, não era possível nem mesmo enxergar seu fundo. Ninguém também jamais
ouviu o som do impacto de algum objeto descartado atingindo uma superfície.
Isso despertou muito o interesse
em Mel Waters em saber qual seria a profundidade daquele buraco. Ex-pescador de
tubarão, como ele se auto intitulou, ele decidiu usar linhas de pesca de 20
libras para tentar atingir o fundo. Inicialmente ele usou 1.500 pés de linha
(460 metros) com uma bala (da marca “Lifesavers Candy”, que é parecida com
Mentos) amarrada na ponta. Sua teoria se fundamentava na crença de que o fundo daquele
buraco seria preenchido com água e, ao atingir essa camada, bala seria dissolvida
pela umidade. Mas após recolher a linha, a bala continuava inteira e totalmente
seca. Então ele partiu pra sua segunda tentativa: amarrou um peso de meio quilo
na ponta da linha para tentar sentir quando ele tocasse fundo. Emendando linha
após linha, ele chegou a usar 80.000 pés (quase 24,5 km) de linha e o peso
ainda não havia tocado nenhuma superfície. Por causa disso, Mel passou a
considerar aquele buraco como um poço sem fundo.
O público do Coast to Coast AM
ficou bastante intrigado com aquele relato. Logo após a participação de Mel,
várias pessoas ligaram para Art Bell propondo algumas estratégias para
determinar o quão profundo seria aquele poço. Desde o uso de radares e até
mesmo atirar um gato vivo, os ouvintes eram muito criativos em suas ideias, mas
nenhum dava uma solução definitiva. Art Bell chegou a sugerir que um voluntário
fosse abaixado pelo poço para informar o que havia nele, mas o próprio Mel se
mostrou contrário a isso por não ser possível garantir a segurança. Mesmo
assim, alguns ouvintes entraram em contato se voluntariando a descer pelo poço.
Em um ponto da entrevista, Art
Bell perguntou se Mel pularia no buraco se soubesse que estava com uma doença
terminal. Mel surpreendentemente disse que sim e relatou que em seu testamento
constava seu desejo de ter o corpo depositado nele quando morresse.
✞Casos
sobrenaturais cercam o buraco✞
Certa vez um caçador utilizou o
buraco para se livrar do cadáver de seu cão, mas dia depois o cão apareceu vivo,
correndo nas florestas da redondeza usando a mesma coleira. Desde então o
buraco ficou conhecido como um local mágico capaz de ressuscitar animais mortos
cujos corpos tenham sido lançados nele (isso lembra muito o enredo do filme
“Cemitério Maldito”). Apesar disso, os animais pareciam temer o buraco. Mel
relata que seus cães o seguiam para todo local, mas eles jamais se aproximavam
quando ele ia em direção ao buraco. Mesmo quando tentavam puxa-los, os animais
cravavam suas patas no chão e resistiam. Até mesmo os animais que ele criava
nas pastagens da propriedade nunca se aproximaram daquele local.
Outros acontecimentos estranhos
também foram relatados durante a entrevista. Waters afirmou que certa vez
presenciou, juntamente com outras testemunhas, um feixe negro saindo do buraco.
Logo após, rádios portáteis que alguns levavam se ligaram e começaram a tocar transmissões
de rádios antigas. Mesmo quando se tentou mudar a sintonia do rádio, ele
permanecia nessa mesma estação que tocava músicas antigas.
Mel Waters fez novas
participações no programa Coast to Coast AM no ano de 2002 (que serão melhores
detalhadas em tópico específico). Nessas edições ele destacou algumas
informações novas, como a capacidade do poço em alterar a propriedade de
metais. De acordo com Mel Waters, ao segurar um objeto de metal próximo à
entrada do poço eles se transformariam magicamente em outros tipos
de metais. Além disso, Mel Waters afirmou que certo dia ele achou um envelope
chinês contendo moedas em seu interior. Eram moedas de 10 centavos fabricadas
em 1943, estampando o rosto do presidente Roosevelt. Entretanto, nessa data não
existiam moedas de 10 centavos com o rosto de Roosevelt. Além disso, moedas
norte-americanas sempre indiciam a inicial da cidade em que elas são
fabricadas. No caso dessas misteriosas moedas, a marcação era a letra “B”. Só
que nenhuma cidade que fabricava moedas nos Estados Unidos em 1943 se iniciava
com essa letra.
✞Governo
norte americano confisca o terreno✞
Um dia após a primeira entrevista
à Coast to Coast AM, Mel Waters estava caminhando em sua propriedade próximo ao
buraco, quando viu um homem trajando terno e, a certa distância, vários usando
macacão de proteção biológica. O homem de terno se apresentou como um oficial
do governo norte americano e relatou a ele que havia acabado de ocorrer um
acidente aéreo naquela área. Mel não engoliu esse papo e questionou o fato de
não haver fumaça ou destroços em nenhum local. Uma discussão entre eles teria
começado, e segundo Mel o oficial chegou até mesmo incrimina-lo por motivos não
reais (tráfico de drogas). Mas no final, Mel aceitou passar o controle daquelas
terras em troca de uma indenização de aproximadamente US$ 250.000,00. Com o
dinheiro da indenização ele decidiu se mudar para a Austrália, onde ele passou
a trabalhar como protetor de vombates (pequenos marsupiais australianos).
✞Em
busca do Buraco de Mel✞
Red Elk
A localização exata do buraco
nunca foi determinada, embora algumas testemunhas afirmem tê-lo visto. Mel
Waters em seu relato inicial disse apenas que ele ficava no meio de cadeias
montanhosas chamadas Manastash Ridge, a cerca de 15 km do município de Ellensburg.
Um curandeiro local mestiço, chamado
Gerald R. Osborne (também conhecido por Red Elk, seu nome como nativo norte
americano), em entrevista para o próprio Coast to Coast AM em 2008 e para
estação de TV KOMO de Seattle em 2012 ratificou que aquele local realmente
exista. Ele contou que seu pai (um nativo da região) havia lhe mostrado o poço
em 1961 e afirmou, sem nenhuma fundamentação, que a profundidade daquele buraco
poderia ser de 24 a 45km. Ainda de acordo com Osborne, o governo matinha uma
base secreta no local, uma vez que a atividade alienígena era bastante
frequente. Raças de alienígenas reptilianos supostamente habitavam aquela
região há vários anos. Ele também sempre carregava consigo algumas tralhas que,
de acordo com ele, eram oriundas de espaçonaves alienígenas.
Um registro de 2002 Red Elk teria
liderado uma expedição com 30 pessoas para localizar o buraco. Entretanto,
mesmo liderado por um explorador experimente, o grupo não foi bem sucedido na
missão de chegarem até o Buraco Mel.
✞Segunda
participação de Mel Waters – Outro buraco?✞
Em 2002 Mel Waters fez uma nova
participação no programa de Art Bell. Ele começou seu relato expondo uma
possível perseguição em que ele era o alvo. De acordo com ele, quando havia
estado nos Estados Unidos em 1999 para ajudar um sobrinho com uma mudança, ele pegou
um ônibus na cidade de Tacoma com destino a Olympia. Durante a viagem, houve
uma briga no ônibus e a polícia pediu para Mel dar uma declaração sobre o
ocorrido. Nesse ponto, houve um vazio nas suas memórias e ele só se lembra de
acordar 12 dias depois em um beco na cidade de São Francisco, espancado e
faltando-lhe alguns dentes molares.
Mel Waters afirmou também que em
setembro de 2001 ele foi convidado para ir até Nevada por um grupo de
imigrantes bascos. Desde 1800 na região, os imigrantes criavam ovelhas e
cultivavam plantas medicinais na região, e demonstravam grande interesse nas
experiências de Mel Waters. Quando Mel Waters analisou algumas plantas
cultivadas pelos bascos, ele notou que algumas eram muito parecidas com plantas
que cresciam ao redor do buraco da sua antiga propriedade. Foi quando os
colonos o levaram até o vilarejo, onde bem no centro também havia um buraco. Eles
afirmaram que o buraco também não teria fundo e já estava lá quando os
primeiros bascos chegaram à região. Por consideraram aquele buraco como um
ponto espiritual, eles estabeleceram residência ali e construíram as casas ao
redor dele.
O buraco tinha quase 3 metros de
largura e era envolto com uma borda de metal, que se estendia poço abaixo, até
onde os olhos podiam enxergar. Mel Waters afirmou que o aro de metal produzia
um campo de calor ao seu redor. Uma das propriedades desse buraco era a
capacidade de anular qualquer som em seu interior. Mesmo quando algum objeto atingia
a borda de metal, o impacto não produzia nenhum som. Assim como observado no
Buraco Mel, os animais também temia esse local e evitavam se aproximar dele.
Inspirados nas experiências que
Mel Waters já tinha com o primeiro buraco, foram feitas algumas tentativas de
descobrir mais propriedades daquele poço. O primeiro experimento foi uma
tentativa de determinar a fonte do calor que o poço irradiava. Então um balde
contendo gelo foi descido pelo buraco por aproximadamente 150 metros. Enquanto
isso, outro balde com gelo era mantido na superfície, para eles poderem ter um
padrão comparativo. Eles esperaram até que metade do gelo do balde derretesse
para içarem o outro balde de volta. Surpreendentemente o balde que havia
descido pelo buraco ainda estava com o gelo inteiro. O mais surpreendente é que
as pedras de gelo estavam mornas, mas mesmo assim permaneciam sólidas.
O tempo ia passando e mesmo assim
o gelo permanecia íntegro. Instigados por isso, eles decidiram jogar aquelas
pedras de gelo em uma fogueira para tentar derrete-los. Mas ao invés de derreter,
o gelo entrou em combustão produzindo uma grande chama amarelada. De acordo com
Mel Waters, ele tinha a informação que aquele gelo permaneceu queimando por
meses e acreditava que ele pudesse estar em combustão até naquele momento da
entrevista. Os colonos chegaram até mesmo a usar as pedras de gelo em combustão
para alimentar a chama de fogões ou como aquecedor das cabanas durante o
inverno.
Os bascos tentaram repetir o
experimento para obter mais gelos como aqueles, mas nunca conseguiram obter os
mesmos resultados. Foi então que um dos aldeões decidiu descer pelo buraco para
descobrir o que de tão misterioso tinha ali. Logo ele foi desestimulado pelos
outros colonos que sugeriram a ele utilizar uma das ovelhas para essa
finalidade. A ovelha se debateu muito e fez de tudo para evitar que fosse
levada até próxima ao buraco. Mas com a força de vários bascos, ela acabou
sendo colocada em uma caixa e essa foi abaixada por 450 metros buraco abaixo.
Lá a caixa foi deixada por 30 minutos até ser suspendida à superfície
novamente. Os bascos perceberam que a caixa permaneceu íntegra, entretanto o
animal havia morrido.
Um dos aldeões, que era
açougueiro, decidiu abrir o animal para fazer uma “necropsia”. A ovelha parecia
ter sido cozida por dentro e, no seu interior, também havia uma grande
quantidade de uma substância que tinha aspecto de gel. Outro achado que chamou
a atenção foi a presença de um enorme tumor no animal. Após dissecar o tumor,
foi revelado que em seu interior havia uma criatura de 18 centímetros. Ela
tinha olhos humanos, nadadeiras e um cordão umbilical que a ligava ao tumor.
Essa criatura era descrita como algo parecido com um feto de foca. Após
“nascer”, a criatura partiu o cordão umbilical e começou a rastejar sobre a
mesa que estava disposta. Ela olhava para Mel sem parar, como se sentisse algum
tipo de conexão com ele. Então ele a pegou em mãos e a colocou sob o solo.
Depois de soltá-la, ele reparou que sua mão ficou suja com uma gosma que
cheirava a ozônio. Mesmo no chão, a criatura fintava todos os presentes com
seus olhos, de maneira bastante perturbadora. Ela continuou se arrastando pelo
chão seguindo sempre o mesmo sentido: a direção do buraco. Mel decidiu ajudar a
criatura e a colocou próxima a borda do poço. Então a criatura teria feito uma
espécie de aceno para os presentes e mergulhou de volta ao buraco.
Coincidentemente, Mel Waters
relatou que após essa experiência um letal e avançado câncer de esôfago que
havia sido diagnosticado nele em agosto daquele ano simplesmente desapareceu.
Ele acredita que a única explicação para a cura tivesse alguma ligação com
aquela criatura.
Antes de Mel Waters deixar o
vilarejo, um ancião aproximou dele e disse não estar surpreso com nada aquilo
que havia acontecido, já que ele sabia que aquele buraco era algo de natureza
mágica. O velho ainda o presenteou com um objeto que havia encontrado próximo
ao buraco: um centavo de Roosevelt datado de 1943.
✞Terceira
participação de Mel Waters – novidades sobre o buraco, gelo ardente e a
criatura✞
Em dezembro de 2002 Mel Waters
fez a última participação no Coast to Coast AM. Ele informou que desde que ele
tinha feito o relato sobre o segundo buraco, helicópteros começaram a sobrevoar
a região colonizada pelos bascos. Mel também disse que tinha recebido a informação
que a borda metálica do poço começou a se tornar invisível quando se tomava
certa distância dela. Coincidentemente a moeda de 1943 também desparecia da
vista quando há certa distancia, além dela também não aparecer em scanners e
fotografias.
Sobre o gelo ardente, o sujeito
que estava utilizando-o em seu fogão contou que o gelo estava sugando toda a
umidade do ambiente, fazendo com que ele ficasse sempre com sede e com a pele
ressecada. Certo dia quando o homem voltava para sua cabana, ele se deparou com
ela toda desintegrada em uma pilha de pó de madeira seca.
Ele também informou que, de
acordo com os bascos, a criatura que naceu do tumor da ovelha havia subido pelo
poço e ido à vila várias vezes. De acordo com Mel Waters, aquele ser poderia
ser um “rock flyer”, uma criatura lendária que vive debaixo da terra. Os
aldeões ainda teriam encontrado uma maneira de se comunicar com ela. A criatura
teria então os advertido sobre os riscos de utilizar o gelo ardente de maneira
“indisciplinada e gananciosa”. Isso poderia destruir até mesmo a Terra! Em
outra comunicação, ela também teria dito que seres inteligentes de outros
mundos previram que no futuro os humanos se autodestruiriam em uma grande guerra
nuclear.
✞Apenas
uma estória inventada?✞
Incialmente cabe ressaltar que o
programa Coast to Coast AM sempre buscou abordar temáticas relacionadas ao
sobrenatural e oculto, o que fez com que o programa fosse algumas vezes alvo de
enganadores. Art Bell permitia que qualquer um ligasse e contasse no ar suas
experiências e relatos. Portanto essa falta de triagem comprometia a
credibilidade do programa.
Em certo ponto das entrevistas de
2002, Mel Waters é acusado de fantasiar muito as estórias que envolvem o
buraco. Com o perdão do trocadilho, seus relatos passaram a ficar cheio de
“furos”. O relato da perseguição e a tentativa de emplacar o buraco dos bascos,
como todos casos absurdos que o circundavam, não foi tão bem aceito e
comprometeu até mesmo a credibilidade da sua primeira participação.
Para investigar a veracidade do
relato e buscar mais pistas, repórteres fizeram pesquisas sobre o nome de Mel
Waters. Entretanto, os registros públicos do Condado de Kittitas
local não mencionavam nenhum Mel Wates que viveu, votou ou pagou impostos ali. Da
mesma forma, nenhum registro de propriedade privada e transferência de
propriedades constando esse nome foram encontrados. Também tentaram, sem sucesso,
localizar a esposa de Waters. Durante a participação no rádio, ele teria dito
que ela trabalhava na Universidade Central de Washington. Mas nenhum
funcionário da Universidade se enquadrava nesse perfil.
Os entusiastas do Buraco Mel
acreditam que Mel Waters pode ter inventando esse nome para se manter no
anonimato, o que explicaria sua ausência nos registros oficiais do Condado de Kittitas.
Alguns também afirmam que após o governo tomar as terras de Mel Waters, os
registros públicos, bem como o TerraServer (serviço de satélite semelhante ao
que temos hoje com o Google Earth) foram manipulados de forma a eliminar
qualquer evidência de que Mel, sua propriedade e seu buraco existiram.
E o que os especialistas diriam
sobre o Buraco Mel? Jack Powell, geólogo do Departamento de Recursos Naturais
do estado, além de ser um renomado técnico, também é um grande conhecedor da
região. Para ele, o buraco descrito por Mel Waters dizia respeito a uma mina
abandonada a noroeste de Ellensburg que tinha cerca de 30 metros de
profundidade. Ele rechaçava totalmente a ideia da existência de um poço sem
fundo naquelas terras. Powell sugeriu então que essa mina abandonada serviu
como inspiração para o estabelecimento da lenda do Buraco Mel. De acordo com
Powell, “suponho que este Mel Waters usou o buraco real como uma espécie de
inspiração para compor o seu misterioso em Manastash Ridge”.
Tecnicamente, Jack Powell também
afirmou que é geologicamente impossível existir um buraco com aquelas
características. O poço mais profundo que ele tinha conhecimento era um de 12
km construído na Rússia em 1989. Uma profundidade tão extensa, como a proposta
por Mel, atingiria camadas geológicas de enormes temperaturas e pressão, o que
causaria um colapso capaz de comprometer toda a estrutura.
Cabe ressaltar que o estado de
Washington tem uma crosta terrestre que varia de 65.000 a 130.000 pés. Uma
profundidade de 80.000 pés, como supostamente foi atingida pelas linhas Mel
Waters, alcançaria camadas de rocha sólida e magma não viscoso. Estima-se que a
temperatura nesse ponto seja de aproximadamente 715 °C, ou seja, temperatura
muito superior a que qualquer linha poderia resistir. Será que o buraco teria
alguma outra propriedade mágica que faria as linhas não entrarem em combustão?
Se não fosse o bastante, alguns físicos calcularam que cada metro de linhas de
pesca de 20 libras tem uma massa estimada de 0,162 a 0,254 gramas. Se somar a
massa total de linha utilizada, acrescentando o efeito da gravidade sobre elas,
o vetor de força resultante seria suficientemente alto para rompê-la.
Alguns céticos também sugeriram
que o peso amarrado à ponta da linha poderia já ter tocado algum fundo e Mel,
sem perceber isso, continuava a solta-la. O peso da própria linha estendida em
certa profundidade do buraco seria capaz de deixa-la tensionada mesmo se o peso
amarrado na ponta repousasse sob alguma superfície.
✞Art
Bell tenta emplacar um terceiro buraco!✞
Em fevereiro de 2005 Art Bell
recebeu um convidado chamado Kimberly, que relatou a existência de um buraco ao
norte de Manitoba (estado canadense) parecido com os descritos anteriormente por
Mel Waters. De acordo com ele, o terreno estava em posse de sua família desde
1700. Alguns nativos teriam dito
que aquele era um local onde os espíritos habitavam e frequentemente usavam o
buraco para irem até a superfície.
Kimberly disse que, durante sua
adolescência, seu pai sempre o levava para acampar naquela área. Certa vez,
juntamente com o irmão ele se aproximou do buraco. Era um poço circular, com
aproximadamente 9 metros de diâmetro. Em seu redor havia um muro de contenção
formado por pedras parecidas com mármore, mas tinham a cor de creme e eram tão
finamente polidas que não podia ser arranhado ou danificado quando atingidas
por algo. Essas pedras não se estendiam acima do nível do solo, então Kimberly
e seu irmão tiveram que cavar alguns centímetros na borda do buraco para medir
a espessura daquela parede (que de acordo com ele era de 1 metro).
Ele disse ainda que jogou várias
coisas no buraco, incluindo uma lanterna ligada, mas nunca conseguiu determinar
o quão profundo aquele poço era. O ponto bastante curioso também é que ao redor
do poço, em uma área de mais ou menos 45 metros, todo som vindo do ambiente
externo era abafado. Nem mesmo os insetos eram ouvidos quando se estava dentro
dessa área. Por causa disso, ela foi chamada por ele de “zona silenciosa”.
Próximo a esse poço também foi
relatado que animais mutilados eram encontrados, assim como a ocorrência de
atividades ufológicas. Ao final Kimberly afirmou que a propriedade ainda é da
sua família e o buraco é totalmente acessível com uma caminhada de 1 hora.
Entretanto, o público não demonstrou o mesmo interesse que outrora Mel Waters
despertou.
✞Sociedade
Paranormal de Seattle – Um grupo de estudo sobre o Buraco Mel✞
O geólogo Powell relatou também
que em 2001 um grupo de estudos sobre o Buraco Mel entrou em contato a procura
de informações geológicas sobre a região. Ele agendou um encontro com o grupo e
deu uma palestra sobre o padrão de geologia de todo Condado de Kittitas e
alguns detalhes mais específicos sobre a cadeia montanhosa de Manastash Ridge. Além
disso, ele também explanou sobre a impossibilidade de existir um poço com
aquelas características, mostrando argumentos técnicos bem fundamentados.
Posteriormente, ele guiou o grupo até o antigo poço da mina que ele acreditava
ser a inspiração para o mítico Buraco Mel.
Apesar de o grupo ser bastante
cordial com Powell, eles não se deram por satisfeitos com aquela explicação e
fundaram a Sociedade Paranormal de Seattle para aprofundar suas buscas. Até o
presente momento, nenhuma evidência sobre a existência do buraco ou do próprio
Mel Waters vieram à tona. Todas as buscas realizadas até hoje não foram bem
sucedidas.
Para o blog Cabana do Terror, até
que se prove o contrário, a lenda do poço sem fundo foi apenas uma estória
inventada para preencher o horário do Coast to Coast AM, que acabou
ganhando bastante notoriedade entre os ouvintes.
✞Exposição
de arte✞
Uma exposição de arte intitulada "Aspects
of Mel's Hole: Artists Respond to a Paranormal Land Event Occurring in
Radiospace" (Aspectos do Buraco Mel: artistas respondem a um evento de
terra paranormal ocorrendo no espaço-rádio) foi organizada por Doug Harvey,
crítico de arte do jornal LA Weekly em 2008 para comemorar os 10 anos da
divulgação da lenda. Harvey abordou uma série de artistas para participar da
exposição e a resposta foi esmagadora: 41 artistas representaram o Buraco Mel
em suas obras.
Posteriormente, um catálogo com
144 páginas foi publicado pelo Grand Central Art Center contendo a contribuição
de todos esses artistas. O catálogo está à venda pelo site “The Good Luck
Gallery” (referenciado ao final do texto) por US$ 40,00. Abaixo podem ser
conferidas algumas dessas obras feitas em homenagem ao Buraco Mel.
✞Ouça
o relato de Mel Waters✞
Graças ao site “The Saga of Mel’s
Hole” (referenciado ao final do texto), as participações de Mel Waters no Coast
to Coast AM podem ser ouvidas na íntegra. Cliquem lá e confiram!
Se você já acessava a internet
por volta do início dos anos 2000 e tinha o interesse em sites de terror, com
certeza que já se deparou com a famosa foto de uma suposta garota fantasma que
trajava um vestido preto e segurava uma boneca enquanto flutuava em um
corredor. O saudoso e extinto blog “Creedus” foi um dos principais a dar
repercussão a essa foto. Talvez essa possa ser considerada como um dos
primeiros contos/relatos de terror que tenha viralizado na internet. Apesar de
ser uma imagem famosa, acredito que pouquíssimas pessoas saibam da verdadeira
história dessa menina.
O suposto nome dessa garota
fantasma é Katrin Malen. Sua aparição ocorreu supostamente na Indonésia. Quando
sua foto ganhou a internet, rapidamente ela recebeu a alcunha de “A menina do
corredor” e várias advertências a acompanham, como não salva-la no computador e
não fixar os olhos na menina por mais de 30 segundos. Além disso, várias
correntes do tipo “passe essa foto para x pessoas ou senão ela vai te
amaldiçoar!” contribuíram para que a foto ganhasse mais notoriedade.
✞A origem da foto✞
Toda essa história se iniciou na
Indonésia, quando um fotógrafo alemão chamado Kur Hants estava fazendo a
cobertura da reinauguração do hospital infantil de Santem, em 1948, que havia
sido alvo de um incêndio no ano anterior. Durante a visita, ele tirou uma série
de fotos do local para posteriormente selecionar uma que melhor ilustraria a
manchete. Mas ao chegar a seu estúdio, ele teve uma macabra surpresa revelando
os negativos. Na foto do corredor de uma das alas, que estava supostamente
vazio, surgiu a imagem aterrorizante dessa garota.
Depois de analisar a foto por
muito tempo, o fotógrafo decidiu enviá-la assim mesmo ao jornal. Entretanto, na
gráfica as impressões da foto saíam todas borradas, impossibilitando sua
veiculação no jornal. Então ele decidiu repassar a fotografia a outros colegas
de profissão, contando toda a estória por trás dela e pedindo para que eles
pudessem buscar uma explicação racional para aquilo. Para sua surpresa, ele
descobriu que a imagem da foto podia variar de acordo com a pessoa. Alguns de
seus colegas relataram que não viam nada demais, apenas um corredor vazio.
Outras diziam conseguir ver outras entidades, além dessa. Também houve aqueles
que juraram que a imagem se mexia, como se chamassem por eles ou fizesse um
sinal de adeus.
Esse foi o estopim para que o
fotógrafo e seus colegas se interessassem e pesquisasse mais sobre quem poderia
ser aquela garota e como ela apareceu na foto. Foi aí que eles chegaram ao nome
de uma ex-paciente do hospital, chamada Katrin Malen.
✞A história de Katrin Malen✞
Katrin Malen
era uma garotinha de 11 anos que vivia com seus pais (Ceron Malen e Enila Malen)
em uma propriedade rural na Indonésia, no ano de 1946. A situação financeira da
família não era muito boa. Devido à longa seca que pairava sobre o local, as
plantas cultivadas pela família começaram a definhar e a sobrevivência dos
animais que eles criavam começou a ficar comprometida. Diante disso, Ceron
decide ir até a cidade vender seus animais antes que a estiagem os vitimassem.
Além disso, ele também tentaria vender algumas armas e pólvora que estavam
paradas em sua casa. Ao saber que seu
pai iria até a cidade, Katrin pediu que ele trouxesse uma boneca para ela.
Mesmo sem muitas condições, o pai se sensibilizou com o pedido da filha (já que
seu aniversário se aproximava) e prometeu retornar com a boneca.
Suposta fotografia de Katrin Malen
Na cidade,
Ceron conseguiu vender alguns animais, mas logo ele teve que retornar para casa.
O motivo era uma grande tempestade estava se formando! Apesar de isso
atrapalhar suas vendas, a chuva seria muito bem vinda diante daquele cenário de
seca. Ansiosa por causa da boneca, Katrin aguardava pelo retorno do pai na
porta de casa. Ao visualiza-lo no horizonte, ela começou a correr em sua
direção sem saber da tragédia que se aproximava. Enquanto a menina partia na
direção do pai, um estrondoso trovão caiu na redondeza, assustando os cavalos
que puxavam a carroça. Ceron não conseguia conter a agitação dos animais, e
isso fez com que a carroça capotasse, espalhando muita pólvora. Com a carroça
continuando a chocar ao solo, faíscas foram formadas e isso resultou em uma
enorme explosão que ceifou a vida de Ceron imediatamente. Com o impacto, muitos
dos objetos que estavam na carroça foram arremessados pelo ar.
Coincidentemente, a boneca caiu intacta na frente de Katrin, que a abraçou
enquanto olhava, paralisada, o corpo de seu pai ser consumido pelas chamas.
A partir daí,
Katrin se tornou uma garota triste e reclusa. Vestia-se sempre de preto e não
conseguia largar a boneca. Buscando novos ares, Enila resolveu vender aquelas
terras e mudar para cidade de Santem com a filha e seu cão. Na nova casa, pela
proximidade entre os quartos, Enila conseguia escutar que toda noite Katrin
conversava com alguém. Preocupada, ela decidiu espiar sua filha e, com isso percebeu
que as palavras da garota eram direcionadas à boneca. Cerca de um ano se
passou, com Katrin ficando cada vez mais introvertida e fechada.
Certa noite,
Enila acordou ouvindo o choro de Katrin, que também chamava desesperadamente
por seu pai. Ao correr para ajuda-la, imaginando se tratar de um pesadelo, ela
encontrou a boneca suja de sangue no quarto. Mesmo questionando sua filha sobre
o que havia acontecido, Enila não obteve nenhuma resposta dado o grau de
nervosismo da filha. Então a mãe decidiu tirar a boneca do quarto e limpá-la,
mas ao abrir a porta dos fundos ela se deparou com seu cão morto, com o peito
perfurado e sem coração. Desesperada, ela logo pensou que alguma pessoa má
intencionada teria invadido a casa, mas nenhuma evidência nesse sentido foi
observada.
Suposta fotografia de Katrin Malen
Depois desse
incidente, ambas nunca mais teriam sossego naquela casa. Armários abrindo e
fechando sozinhos, sons estranhos e desaparecimento de objetos começaram a
acontecer frequentemente.Desesperada,
Enila pediu ajuda à sua irmã para que ela, juntamente com sua filha, Malina,
passasse alguns dias na casa. A princípio, a chegada de sua irmã e sobrinha
causou um pouco de tranquilidade àquele ambiente. Mas em um domingo pela
madrugada, Enila acordou sentindo um cheiro de fumaça e ao se levantar,
deparou-se com a boneca em chamas no meio da cozinha. Com a ajuda de vizinhos,
as chamas foram contidas. Enila decidiu então jogá-la fora, mas no dia seguinte
misteriosamente a boneca apareceu novamente no quarto de Katrin.
Malina sempre
quis brincar com a boneca, mas Katrin jamais permitiu. Aproveitando-se de um
momento de distração, Malina conseguiu se apoderar da boneca e brincar
escondida. Ao se deparar com isso, Katrin tomou a boneca e disse que ela se
arrependeria por ter feito aquilo. Na madrugada do mesmo dia, Enila e sua irmã
acordaram em meio aos gritos vindos do quarto das meninas. Ao correrem para lá,
se depararam com Malina morta, com uma perfuração no peito. Katrin estava de
pé, segurando a boneca, de frente para o corpo da prima. Tanto a garota, como a
boneca, estavam encharcadas de sangue. Transtornada com aquela cena, a reação
de Enila foi agredir sua filha e a acorrentar na cama, onde ela permaneceu até
ser internada no hospital de Santem.
No hospital,
Katrin recusava a usar a roupa dos internos, e apenas aceitava vestir seus
trajes pretos. A garota também demonstrava certa “abstinência” pela ausência da
boneca. Seu estado foi piorando gradativamente com o passar do tempo. Diante
disso, os médicos sugeriram que Enila levasse a boneca na próxima visita. Durante
essa visita, enfermeiras estranharam o silêncio vindo do quarto e a demora de
Enila em deixar o local. Ao abrirem a porta, elas se depararam com Enila morta!
Katrin havia arrancado o coração com suas próprias unhas e o comia
tranquilamente. Diante disso, ela foi novamente amarrada e fortemente sedada.
Tal incidente
rapidamente se espalhou e a boneca se popularizou como um objeto amaldiçoado. A
direção do hospital decidiu então incinerar a boneca, mas no exato momento que
ela foi atirada às chamas, o hospital também começou a se incendiar, fato que
levou a morte de várias pessoas, incluindo Katrin.
Após uma grande reforma e
revitalização, o hospital infantil de Santem foi reaberto um ano após o
incêndio, em 1948. Nesse ponto que entra a cobertura jornalística feita por
Kur, quando a famosa foto teve sua origem.
✞ Katrin Malen começa a assombrar os envolvidos✞
Em 1949, alguns amigos de Kur
Hants encontraram o corpo dilacerado do fotógrafo em seu apartamento. Após a
necropsia, foram constatados alguns achados bastantes intrigantes. Os olhos
saltados refletiam que ele havia passado por algo aterrorizante. Em seu peito
havia uma grande perfuração e lhe faltava o coração: o mesmo padrão das mortes
anteriores relacionadas à Katrin. Sua mão direita estava repleta de sangue e
nas suas unhas havia pedaços de tecidos humanos. Ou melhor, do próprio tecido. A
explicação mais lógica que os legistas conseguiram dar é que o próprio
fotógrafo havia causado a lesão. O caso foi considerado um suicídio e encerrado
pela polícia.
Obviamente um ser humano não
seria capaz de arrancar o próprio coração com as unhas e escondê-lo enquanto
permanece consciente. Embora a polícia não conseguisse progredir mais nesse
caso, os amigos de Kur não se contentaram com a hipótese de suicídio.
Após a morte de Kur, seu melhor
amigo, Telman, ficou com algum de seus pertences, incluindo a câmera
fotográfica e alguns negativos. Pouco tempo depois ele se mudou para a cidade
de Estina. Lá ele permaneceu até 1975 quando morreu por parada cardíaca. Após
sua morte, muitos de seus bens seriam leiloados, incluindo sua coleção de
pinturas de autoria própria e os pertences do amigo fotógrafo. Isso despertou o
interesse de Faila, uma jornalista evolvida com a cobertura de incidentes
associados com Katrin. Sem dificuldade, ela conseguiu arrematar um pacote de
seus pertences, que incluiam a câmera e negativos que anteriormente pertenciam
a Kur, alguns dos quadros pintados por Telman e uma boneca muito antiga. Após
revelar as fotos, Faila começou a analisa-las criteriosamente no escritório de
sua casa. Na parede bem a frente de sua mesa estava um dos quadros de Telman,
que retratava uma boneca parecida com aquela obtida no leilão.
A maioria das fotos estava
desfocada e analisa-las com o avançar da noite estava deixando Faila com dor de
cabeça e cansada. Mas para alívio da jornalista, as últimas fotos estavam
nítidas e retratavam a cobertura que Kur tinha feito na reinauguração do
Hospital de Santem. Ao passar as fotos, Faila teve um grande susto ao deparar
com uma foto de Kur de frente a um espelho. Com uma mão ele segura a câmera e a
outra estava afundada em seu peito, de onde muito sangue escorria. Imediatamente
ela soltou aquelas fotos e, apavorada, deixou o escritório. Ela não conseguia
acreditar que Kur fosse capaz de tirar a própria vida de uma forma tão brutal.
Após retomar o fôlego, Faila
decidiu voltar ao escritório para analisar as fotos. Mesmo revirando o escritório
e analisando foto por foto, ela não conseguia encontrar a foto do suicídio de
Kur. Teria sido aquilo apenas algo da sua imaginação? Realmente ela estava
muito cansada e poderia estar imaginando coisas. Mesmo intrigada, resolveu
dormir e continuar a investigação quando estivesse mais relaxada. No meio da
madrugada Faila acordou sentindo um cheiro de fumaça e escutando um forte
estrondo vindo do escritório. Ao adentrar o cômodo, ela se deparou com o quadro
da boneca caído ao chão. Tal acontecimento a deixou temerosa, e ao pegar o
quadro do chão e observa-lo, ela ficou paralisada. Sentiu como se algo a
chamasse e aos poucos foi se sentindo sufocada, até cair ao chão. Tentava, em
vão, desesperadamente gritar. Mas nada ela podia fazer além de agonizar enquanto
via vultos vagando pela casa. Gradativamente sua visão foi escurecendo até
ficar em uma escuridão total.
Uma semana depois seu corpo foi
encontrado em avançado estado de putrefação e a causa mortis foi determinada como um infarto. Embora Faila nunca
tivesse um histórico de cardiopatia, na necrópsia seu coração estava muito
escuro, como se tivesse carbonizado.
Os anos se passaram e, em 1995,
um jovem estudante norte-americano de artes ocultas chamado Henry decidiu ir
até a Indonésia pesquisar evidências da lenda de Katrin Malen, bem como obter
as antigas fotos de Kur. Os pertences que antes estavam em posse de Faila,
agora eram expostos em um museu público, onde se aglomeravam todos os itens
relacionados à lenda. Com um alto investimento, Henry conseguiu se apoderar de
todos eles, o que incluía as fotos, relatos escritos por Faila, os quadros
pintados por Telman e a boneca, que supostamente era a que pertencia à Katrin.
As fotos não apresentavam nada
demais. Todas estavam borradas e já muito desfocadas pelo passar dos anos. Em
registros de Faila estavam descritos, dentre outras coisas, detalhes da suposta
foto do suicídio de Kur.
Quanto mais se aprofundava nas
pesquisas, mais fascinado com aquela estória Henry ficava. O que lhe despertava
mais interesse e intriga era descobrir o que levou Faila a morrer daquela
forma. Um ano se passou sem que Henry interrompesse suas pesquisas. Em certo
dia ele descobriu, em um livro, como fazer um ritual para invocar espíritos
perturbados. Aquela poderia ser a chave para ele resolver o mistério: colher
informações direto da fonte!
Então no dia 7 de janeiro de 1996
ele, seguindo o ritual, tentou comunicar-se com o espírito de Katrin Malen. O
ritual envolvia o uso de velas, objetos religiosos, ervas específicas, caneta e
o próprio sangue do conjurador. Horas se passaram sem que nenhum tipo de
comunicação fosse bem sucedido. Henry segurava a caneta sobre um papel conforme
o ritual estabelecia, mas nada era escrito. Em certo momento, sua mão começou a
mover-se involuntariamente, e a caneta redigia no papel a seguinte frase: “Regresso
por aquele que faz o que um dia fizemos”. Nenhuma outra sentença foi escrita e,
intrigado, Henry decidiu encerrar o ritual e tentar interpretar seu único
achado.
Os dias se passaram e
acontecimentos estranhos, como barulhos surgindo no meio da madrugada,
começaram a se manifestar na casa de Henry. Ele foi se tornando uma pessoa cada
vez mais estranha e fechada. Mesmo os amigos que o procuravam preocupados,
muitos deles que contribuíram para sua expedição à Indonésia, eram tratados com
agressividade e indiferença.
Certa vez, Henry tentava
trabalhar em seu computador e sentia vultos passando com muita frequência. Logo
depois seu cachorro começou a latir initerruptamente, impossibilitando que ele
pudesse se concentrar em sua atividade. Bastante incomodado com isso, Henry se
enfureceu e foi até seu cão para repreendê-lo. O animal ficou ainda mais
agitado quando ele se aproximou, rosnando com um misto de raiva e medo. Foi
então que Henry notou uma barra de ferro em seu lado direito e não hesitou em acerta-lo
na cabeça, matando-o. Ainda não satisfeito, Henry utilizou a barra para cavar
um buraco no peito do animal, transformando seu quintal em um cenário de
carnificina. Após isso, ele voltou para seu escritório normalmente, tocando o
teclado e mouse com as mãos encharcadas de sangue.
Minutos depois um estranho desejo
tomou conta do seu ser. Guiado por esse instinto, ele vasculhou as gavetas em
busca da foto do corredor do hospital de Santem. Após encontra-la, Henry a
digitalizou e começou a fazer montagens, sobrepondo várias imagens a essa. Sua
concentração nessa atividade era tamanha que nem percebeu que o espectro de
Katrin Malen se aproximava dele pelas costas. Com muito esforço, Henry conseguiu
recriar uma foto na qual Katrin aparecia no corredor segurando uma boneca. E
assim que a foto foi finalizada, Katrin sussurrou a ele que a imagem deveria
ser propagada, para que mais pessoas tivessem conhecimento da sua existência.
Foi aí que Henry publicou a fotomontagem na internet e ela viralizou. Quando o
último clique foi dado, Katrin colocou suas mãos gélidas e decompostas sobre os
ombros de Henry, fazendo-o agonizar até a morte.
Dias depois vizinhos comunicaram à
polícia que um forte cheiro vinha da casa de Henry. Ao chegarem lá, as
autoridades encontraram o cadáver do estudante. A boneca foi recolhida de sua
casa e analisada. Dentro dela havia vestígios de algum tecido humano
apodrecido, que de acordo com as análises, sua composição era sugestiva de um
coração humano. Exames posteriores indicaram que os tecidos pertenciam a Kur,
mas até hoje fica o mistério de como aquilo foi parar dentro da boneca.
✞Explicações racionais para a foto✞
Umas das teorias mais aceitas pelos
parapsicólogos sobre aparições “sobrenaturais” em fotos é a escotografia,
também chamada de fotografia do pensamento. Padre Quevedo explica que quando o fotógrafo tem algo muito intenso e constante em sua mente (como
pensamentos em entes perdidos), no momento de tirar a fotografia uma energia
chamada telergia é emitida de sua mente e dá origem a formação de imagens. Em
outras palavras, em alguns casos os pensamentos podem, involuntária e
incontroladamente, ser exteriorizado telergicamente possibilitando sua captura
em fotografias.
Embora a escotografia seja um
fenômeno comprovadamente verdadeiro, por ser de rara ocorrência e facilmente
mimetizado por fraudes, torna-se muito difícil sua abordagem de forma científica.
Alexandre Aksakof e McCarthy, pesquisadores da Society for Psychical Research
pesquisaram o tema por volta dos séculos XIX e XX. Entretanto, fraudadores de
fotos como Buguet e Leymarie na França; Reimers na Alemanha; Damiani na Itália;
Hope, Mrs. Deane, Hudson, Parkes, Willie, Boursnell e outros na Inglaterra, comprometiam
que o estudo pudesse ganhar notoriedade e credibilidade. Abaixo poderão ser
conferidas algumas fotos em que comprovadamente ocorreram o fenômeno da
escotografia.
✞A verdade✞
Já foi comprovado que a foto foi
submetida à manipulação digital, e de forma bastante desleixada. Na barra do
vestido da garota é possível ver uma linha verde bem contrastante, o que
praticamente sugere que a imagem foi retirada de outra fonte e colocada em sobreposição
na imagem do corredor (seguindo os mesmos princípios dos “chroma keys”, mas de
forma pouco caprichada). Cortes grosseiros em alguns pontos do vestido e do
cabelo reforçam ainda mais essa ideia. Quem fez a montagem provavelmente não
teve muita paciência ou habilidade para contornar estruturas mais detalhadas
como essas. Segundo especialistas, os olhos da garota têm fortes indícios de
terem sido manipulados por “Dodge Tool” (técnica não-destrutiva de Photoshop para
aplicar luz e sombra em fotos).
Entretanto, alguns defensores
acreditam que esse traço verde tenha ligação com algum efeito dimensional
quando se usa um óculo 3D para visualizar a imagem. Porém, muitas pessoas que usaram
os óculos 3D para avaliar a imagem relataram não ter observado nenhum efeito.
Diante dessas evidências, como
explicar o fato de algumas pessoas se depararem com Katrin após olhar a foto? A
razão é muito simples. Tenho certeza que todo mundo já se deparou com alguma
publicação de foto na qual era acompanhada por uma instrução para olhar
fixamente em um ponto dela por algum tempo e em seguida olhar para uma parede
branca. Magicamente a imagem era “projetada” na parede! No caso de Katrin Malen
se tem o mesmo efeito. Seu padrão preto e branco permite que esse fenômeno de
ilusão ótica aconteça. Caso esteja com dúvida (e coragem) faça o teste agora
mesmo! Provavelmente, por causa disso havia a advertência de não olhar para
essa foto por mais de 30 segundos.
Além da manipulação digital,
muitos céticos afirmam que a menina da foto nada mais é que um manequim
fantasiado.
O veredito final é que, apesar de
macabras, a foto e a estória de Katrin Malen é apenas mais uma creepypasta inventada
e publicada na internet. A manipulação digital da imagem é um fato já
comprovado, e isso compromete totalmente a credibilidade de tudo que a rodeia. Mesmo
que o personagem Henry tenha sido incluído na lenda, como um estudante que fez
a fotomontagem ao ser orquestrado por Katrin, muitos pontos da estória abrem
margem para contestação. Além disso, a falta de informações concretas praticamente
confirma que toda a história da garota foi uma invenção. Os inúmeros
assassinatos acontecidos e um incêndio de proporções colossais em um hospital de
uma das maiores cidades da Indonésia não passariam despercebidos pelos veículos
de imprensa da época. Basta lembrar que grandes incêndios da humanidade (como
por exemplo, o grande incêndio de Chicago, de Tóquio, do Edifício Joelma),
mesmo que ocorrendo há bastante tempo, foram amplamente documentados em vídeos,
fotos e matérias jornalísticas.